6 de fevereiro de 2013

Cuide do amanhã

A população que mais cresce no Brasil é a de idosos. Para 2025, o IBGE estima que o Brasil tenha uma população de cerca de 32 milhões de pessoas nessa faixa etária. Com a pirâmide demográfica em transformação, a sociedade não pode deixar de refletir sobre esse novo grupo, até porque os jovens de hoje serão os idosos de amanhã. “Compreender o processo de envelhecimento é importante para que as pessoas possam avaliar a necessidade de se adotar certos hábitos de vida, a fim de interferir positivamente neste processo”, afirma o geriatra Mauro Piovisan, do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. São idosas as pessoas com mais de 65 anos nos países desenvolvidos, e com mais de 60 nos em desenvolvimento, de acordo com padronização da Organização Mundial de Saúde. Cientificamente sabe-se que o processo de envelhecimento não pode ser detido. Mas pode ser retardado. Alguns vivem mais, mantêm-se muito jovens para a sua idade cronológica e têm uma qualidade de vida melhor do que outros por diversos fatores. Entre eles, as condições socioeconômicas, culturais, de personalidade, da maneira como vêem o mundo, de espiritualidade, dos estímulos que recebem. Além disso, há as características de comportamentos e predisposições que são herdadas geneticamente. As pessoas são diferentes entre si. Seja pela idade, peso, altura, sexo, cor da pele, força, inteligência. Um conjunto de fatores genéticos interage com o meio e com as variações do estilo de vida, desenvolvendo comportamentos singulares, e particularizando as diferenças individuais. Mas como a longevidade não pode ser diagnosticada geneticamente, é aconselhável a prevenção durante toda a vida. Por meio de mudanças comportamentais, as pessoas que morreriam mais cedo acabam vivendo mais que a média do tempo de vida humana, ao corrigir maus hábitos como tabagismo, obesidade, álcool em excesso, isolamento social, inatividade física. Educadores de olho no coração e na pressão As doenças que mais causam óbitos entre idosos, segundo a geriatra Nélia Osório, professora da Universidade Federal de Tocantins, são a cardiopatia e a hipertensão. No caso dos/as aposentados/as da educação, de acordo com pesquisa do Dieese, o problema de saúde que ocorre com maior freqüência é a pressão alta, causada em grande parte por falta de exercícios físicos, alimentação inadequada e estresse. O estado com maior incidência da doença é Goiás, com 60,9% das ocorrências, e o de menor índice é o Paraná, alcançando 34,6%. A atividade física, recomendada por um profissional de educação física, é uma das alternativas mais eficazes para esse tipo de doença, desde que bem orientada e que esteja de acordo com as necessidades de cada um. “Já vi casos de idosos que começaram a correr, e depois de seis meses tiveram que fazer operação no joelho por causa da falta de orientação profissional. É preciso ter cuidado”, afirma Piovesan. Depois da pressão alta, os problemas de coluna estão entre as principais dificuldades encontradas pelos profissionais da educação aposentados, causados pelo grande número de horas passadas em posições incômodas. Outras doenças recorrentes, segundo o estudo, são varizes, devido ao longo tempo em que os docentes permanecem em pé, além da osteoporose e artrose. A perda muscular é também fator de preocupação com o decorrer da idade, como lembra Piovesan. Destacam-se, em menor incidência, as doenças respiratórias, muitas vezes provenientes de alergias provocadas pelo pó de giz, e os problemas de voz, pelo excesso de tempo em que o professor permanece falando. O estado em que o problema é mais recorrente é o Maranhão, totalizando 25% das ocorrências entre as doenças analisadas. Uma questão de estilo de vida Para Piovesan, cuidados médicos são essenciais para envelhecer bem. No dia a dia, um bom sono também ajuda na prevenção de doenças. Já a alimentação deve ser algo observado desde o nascimento. “Recomenda-se uma alimentação saudável, não só na velhice, pobre em gorduras e em carboidratos, e rica em fibras”. A geriatra Nélia Osório recomenda, antes de tudo, que o idoso entenda a velhice: suas perdas, relacionadas a fatores biológicos, e ganhos, ligados à experiência de vida. “O idoso não pode ser vítima nem herói, ele deve compreender que participa de um processo natural da vida”, enfatiza. “Deve haver prazer mesmo com as dificuldades anatômicas, de perda de visão e de audição”. Ela também destaca a importância de ter projetos de vida. “A pessoa que não tem projetos de vida já está morta”.■ Usar os medicamentos corretamente, equilibrar os ambientes emocionais, ampliar a rede de suporte social. É importante, além disso, reduzir situações de ansiedade e estresse, para evitar a depressão, segundo Piovesan, além de otimizar o tempo livre, fazendo atividades que dão prazer. Para que sejam baixos os riscos de desenvolverem doenças (e as dificuldades a elas relacionadas), assim como para que sejam altos os níveis de função física e mental na velhice, é importante atentar-se para hábitos adequados.■ (Soraya Utsumi)

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