10 de agosto de 2017

Sinteal saúda o 11 de Agosto: “Dia do/a Estudante”

IMG_2160O dia 11 de agosto marca a comemoração nacional do “Dia do/a Estudante.” A data é simbólica, e coincide com dois marcos da educação brasileira: a criação dos primeiros cursos de nível superior do país no século XIX, e a fundação da União Nacional dos Estudantes (UNE) na década de 30.

A tardia criação de cursos de nível superior no país significou, naquele momento, uma alternativa para os filhos da elite rural brasileira continuarem a sua educação formal, uma vez que não mais podiam completar seus estudos em uma Europa infestada por guerras. Esse modelo educacional contrasta-se aos outros desenvolvidos ao redor do mundo, sempre ligados ao projeto de desenvolvimento de cada país.

A fundação da UNE – União Nacional dos Estudantes, em 11 de agosto 1937, entretanto, vem para contrariar essa lógica. O movimento estudantil organizado, desde os seus primórdios, empunha a bandeira da democratização do acesso à educação, do desenvolvimento nacional e da defesa do povo brasileiro (e de sua identidade). As bandeiras levantadas pelos estudantes sempre buscaram a transformação de uma realidade perversa para a maioria da população de um país extremamente desigual como o nosso, numa nação capaz de atender aos direitos mais basilares de seu povo.

Os estudantes têm papel central na construção de uma alternativa à dura realidade posta. Quando se colocaram à frente da campanha pela nacionalização do petróleo, contra o golpe militar, pelas eleições diretas, ou pela universalização da educação, foram protagonistas das duras conquistas que hoje se colocam como todo o rol de direitos constitucionalmente garantidos. E mesmo hoje, quando esses direitos sofrem ameaças, a resistência estudantil tem sido um norte para a atuação da sociedade civil organizada. As ocupações pacíficas das escolas pelo direito de estudar, e de tudo aquilo que possibilita esse direito, mostram que o movimento estudantil segue vivo e pulsante.

Nesse sentido, quando se compreende que a educação é feita por professoras/es, corpo técnico e estudantes, estamos, na verdade, falando de uma construção coletiva de saber, em que o conhecimento formal se mistura com a visão de mundo e experiências diversas trazidas por todos para o ambiente escolar, onde o conhecimento técnico se aproxima de fato da realidade, sendo instrumento para sua transformação.

Portanto, falar de futuro ao se referir aos estudantes, em muito pouco se refere a abordagem da temática geracional, em que os mesmos papéis na sociedade serão cumpridos por pessoas diferentes a cada tempo. Na verdade, é preciso compreender que os estudantes têm tido a capacidade e a ousadia de apontar a direção correta da democracia, do progresso, da justiça social e da educação pública, gratuita e de qualidade. E tendo a clareza de que o presente é o tempo onde se conquista o futuro.

Por: Consuelo Correia – Presidenta do Sinteal

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