7 de novembro de 2019

Falta de respostas concretas sobre problemas na Educação marca reunião de secretário da pasta na ALE

 

Na ALE, Sinteal protesta contra secretário de educação e vice governador, Luciano Barbosa (Foto: Felipe Nyland/Gazetaweb)

O Sinteal participou, infelizmente sem direito a fala, na tarde-noite desta 4ª feira (06/11), na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), de reunião do secretário de Estado da Educação e também vice-governador, Sr. Luciano Barbosa, com os membros da Comissão de Educação da Casa e outros deputados estaduais, quando foram questionados assuntos como a falta de transporte escolar, o programa “Escola 10”, obras inacabadas na área da Educação, entre outros. Sem respostas concretas para a maioria dos questionamentos apresentados, o secretário deixou evidente que a Educação pública e seus trabalhadores e trabalhadoras não são tratados com a seriedade administrativa que merecem. 

Tendo em vista que, mesmo enviando vários ofícios com pedido de audiência, o Sinteal não consegue audiência com o secretário, a diretoria aproveitou o requerimento-convite feito pelo deputado Davi Maia ao secretário, e foi à ALE, e, com paciência, esperou um pouco mais de 01 (uma) hora para conseguir ter acesso à sala da reunião, para ouvir as possíveis explicações do secretário da Educação, mas sem poder intervir como desejaria as lideranças sindicais presentes.

“Reivindicamos a participação do Sinteal aos membros da Comissão de Educação explicando a importância da pauta de assuntos que ela iria tratar, que é de vital interesse da nossa entidade e da categoria, alertando também que seria uma oportunidade de apresentarmos nossa pauta à comissão da educação, aos demais deputados e, principalmente ao secretário. Infelizmente, nos foi permitido apenas a presença, sem direito à intervenção”, disse a vice-presidenta do Sinteal Célia Capistrano.

Um dos pontos principais que pedia explicações objetivas do secretário, a grave questão de não oferta do transporte escolar para estudantes e também para as/os profissionais da educação, não foi explicada e respondida a contento pelo titular da pasta da Educação estadual, que, se escorando no argumento da defesa da “municipalização do transporte”, terminou não dizendo como o Estado e a Seduc irão resolver a falta de transportes, que envolve, com urgência, a realização de um concurso para motorista da rede estadual de educação, ou seja, a existência de profissionais efetivamente do quadro da educação para trabalhar com os 100 ônibus adquiridos pela Seduc, fato este que foi considerado por alguns deputados como uma “falta de planejamento” da Seduc.

Segundo a secretária geral do Sinteal, Girlene Lázaro, “o Sinteal esperava uma resposta objetiva em relação ao transporte escolar, que vem gerando protestos de estudantes em várias regiões do estado. E a questão preocupa mais ainda porque o secretário estica a não solução deste grave problema com promessas de estudar a oferta d passes escolares e, mais diretamente em relação aos trabalhadores do magistério, principalmente aqueles que ensinam longe de suas residências, acena com a ajuda defasada de cem reais como aporte para pagamento de passagem particulares, valor este que não sofre reajuste há dezessete anos, mesmo com os vários reajustes de combustíveis de lá para cá. E assim não vemos perspectivas de solução para o transporte escolar”.

Foto: Ascom/ALE

 

Outra questão fundamental tratada na reunião foi a Educação Integral, política educacional que o próprio secretário admitiu “precisar de ajustes”. O assunto vem sendo levantado pelo Sinteal constantemente nos meios de comunicação, inclusive com a denúncia de evasão de quase 9 mil alunos do ensino médio, o que evidencia que falta realmente estrutura para que a escola de tempo integral dê certo. “Alagoas, como o resto dos estados, tem desigualdades sociais. Quando um estudante chega à idade de trabalhar, a família manda ele trabalhar. Se o ensino é integral, este aluno inevitavelmente sairá da escola. O Sinteal reivindica que o governo e a Seduc dialoguem com a sociedade e com o sindicato para organizar o processo educativo. O Sinteal defende que se discuta a priorização do ensino fundamental do 1º ao 9º ano”, disse Célia Capistrano.

Outro ponto que o Sinteal entendeu como “ponto negativo” na área da Educação é a falta de empenho da gestão em relação ao esforço profissional que professoras/es fazem, em péssimas condições de trabalho, e que colocam o Estado em condição de bons índices em avaliações como o IDEB, esforço este que não é traduzido em valorização pelo governo.

Faltando apenas um mês e meio para o ano de 2019 acabar, e encerrar o primeiro ano do segundo mandato do governador Renan Filho, o SINTEAL volta a solicitar uma imprescindível audiência com o Governo do Estado e a Secretaria de Estado da Educação apresentar a justa e inadiável pauta de reivindicações das/os trabalhadoras/es da rede pública de educação e cobrar respostas e ações efetivas sobre em relação aos graves (e não resolvidos!) problemas existentes na área, a exemplo da falta do transporte escolar, de concurso público (em todas as funções), de segurança nas escolas, além da efetiva valorização profissional e salarial da categoria. 

O Sinteal e as/os trabalhadoras/es vão continuar lutando para que a verdadeira política em favor da educação pública saia “do papel” e da irrealidade das propagandas de televisão para a realidade de fato e de direito.