20 de maio de 2020

Assédio Moral foi tema de debate em Live realizada pelo Sinteal

Na tarde desta terça-feira (19), o Coletivo de Saúde do/a Trabalhador/a do Sinteal realizou a live “Assédio Moral em tempos de pandemia”, nos canais oficiais do Youtube e Facebook do sindicato. O debate foi conduzido pelo coletivo na pessoa do dirigente André Ribeiro, e teve a participação da advogada Betânia Nunes (Sinteal) e da psicóloga Karoline Félix (Cerest).

O trabalho do Sinteal no combate ao assédio moral em defesa da saúde física e mental dos/as trabalhadores/as da educação já é realizado há alguns anos. Além do suporte que é dado a quem leva a denúncia ao sindicato, o coletivo tem desenvolvido um trabalho de prevenção levando informação sobre o tema em ações nas escolas e palestras promovidas no próprio sindicato.

“Maio é o mês do combate ao assédio moral, então nós sempre intensificamos esse trabalho e realizamos ainda mais ações. Esse ano, com o distanciamento social, transferimos as ações para o campo virtual, mas permanecemos atuantes na luta”, explicou André.

O debate começou com uma explicação de Betânia Nunes, que trouxe detalhes da legislação atual relacionada ao tema. A jurista esclareceu que tanto na Constituição Federal quanto no Código Civil, existem artigos que podem ser utilizados contra o assédio moral. Ela também detalhou como se configura o assédio moral, relatando características.

Betânia falou sobre diretrizes do Tribunal Superior do Trabalho que contribuem com a prevenção ao assédio moral em todos os ambientes de trabalho do país. “Existem leis sim, que podem punir quem está cometendo assédio moral, a maior dificuldade é provar que esse alguém está cometendo assédio. É muito importante a descrição circunstanciada do fato, imprescindível que você tenha registro minucioso com local, hora, o que aconteceu, com quem aconteceu… tudo isso precisa ter registro para configurar que houve assédio”.

Para falar do ponto de vista da saúde mental, Karoline Felix fez uma reflexão sobre as mudanças que a pandemia trouxe ao formato de trabalho. A representante do CEREST observou que a nova modalidade de relações de trabalho dificulta a configuração do local de trabalho, consequentemente deixa ainda mais difícil qualificar o assédio moral. “A gente não foi preparado para o teletrabalho. Nem o profissional da educação, nem o gestor. Está todo mundo perdido”, afirmou a psicóloga.

Do ponto de vista técnico, ela compreende que as pessoas que cometem assédio conscientemente são uma minoria. “O assédio moral é resposta inadequada em que o agressor não sabe agir diante de uma situação de pressão”, conceitua. Acreditando que o assédio é resultado da falta de preparo, ela compreende que esse contexto de pandemia favorece ainda mais esta prática. “Pelo decreto estadual, toda a responsabilidade recai sobre o gestor, e ele não foi preparado para isso. Tudo isso deixa o servidor muito vulnerável na mão do gestor”.

Mesmo ressaltando a importância de manter a atenção contra a prática do assédio moral e denunciar quando isso acontecer, a psicóloga orienta que as pessoas busquem um olhar institucional para o modo de fazer trabalho. “Ninguém está preparado para o teletrabalho, mas estamos vivendo uma crise de saúde pública que exige eu a gente reprograme a nossa forma de ver o nosso trabalho”.

A fala de Karoline chama a atenção para a necessidade de priorizar o melhor funcionamento do trabalho e das relações entre todos que fazem o trabalho. Relatando o momento em que todos passam por dificuldades, o Sinteal compreende que é necessário um esforço por parte de todos. “A começar pelo poder público, que deve fornecer condições de trabalho antes de sobrecarregar os profissionais e até mesmo gestores das escolas com os decretos que não pensam nas dificuldades dos alunos e profissionais em cumprir o formato. Orientamos os nossos associados a realizar o trabalho da melhor forma possível, contanto que sejam dadas as condições por parte do Governo”, disse André Ribeiro, dirigente do Sinteal e membro do coletivo de saúde do trabalhador.

Com boa interação do público, grande parte da live foi dedicada a responder perguntas enviadas pela categoria através dos comentários. As especialistas orientaram, esclareceram mais detalhadamente, e responderam aos questionamentos.

Os vídeos deste e de outros debates promovidos pelo Sinteal neste período podem ser encontrados nos canais do Sinteal do Youtube e Facebook (deixaremos o link disponível no final da matéria.

A agenda de lives promovida pelo Sinteal durante a quarentena vai continuar. A próxima está marcada para as 15h desta quinta-feira (21), com o tema “As crianças, a educação infantil e a pandemia”. Acompanhe!

 

 

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