8 de abril de 2021

Sinteal luta contra implantação de ensino cívico-militar na Escola Padre Pinho

A quatro anos vivendo sob um processo de intervenção direta da Secretaria Municipal de Educação (Semed), a Escola Municipal Padre Pinho, localizada no bairro de Cruz das Almas, está novamente passando por semanas decisivas, desta vez tendo como motivo a tentativa de implantação do inconstitucional modelo de educação “cívico-militar”, defendido pelo Governo Bolsonaro.

Há cerca de duas semanas, depois de tomarem conhecimento, pela coordenação escolar e por nota da Semed, de que a Escola Padre Pinho havia sido “escolhida” (com mais outra unidade de ensino) para a implantação do “ensino cívico-militarizado”, professores/as se mobilizaram e realizaram, dois dias após o aviso, uma reunião que lotou a “sala virtual” (com a presença da interventora), e que rechaçou de imediato a proposta, com a categoria dizendo categoricamente “Não” ao projeto pretendido pela Semed.

Segundo o professor Sérgio Lima, que leciona História, na segunda-feira seguinte à reunião dos/as professores/as, a direção da escola convocou reunião com pais de alunos para fazer a apresentação do projeto, sem que isto tivesse sido acordado com a categoria, na reunião anterior com a direção. “Protestamos, porque, no nosso entendimento, na reunião com os pais, que também lotou a “sala virtual”, não houve um debate cristalino de ideias sobre o assunto”, disse.

Desde esta reunião, os/as professores/as da Escola Padre Pinho vêm tentando, inclusive com o envio de documentos, uma reunião com o secretário municipal de Educação, Elder Maia, mas, até o presente momento, sem respostas da gestão. “Noventa por cento dos professores da nossa escola assinaram documento solicitando ao secretário esta reunião para que possamos debater democraticamente o que acontece na escola, e para termos a oportunidade de entender este projeto de militarização da educação, através de todo e qualquer documento que a secretaria possa nos fornecer. Confiamos que a nova gestão à frente da Semed estará, em breve tempo, nos chamando para este diálogo tão urgente e necessário”, diz o professor.

Reforçando que a Escola Municipal Padre Pinho já vem há quatro anos sob processo de intervenção [a última eleição foi em 2015], o professor Sérgio enfatiza que a luta por um processo eletivo vem ganhando força, com uma informação muito importante: 12 professores da escola vêm fazendo curso de gestão escolar, o que traz boas perspectivas para o futuro da escola.

No entender dele, “é preciso que seja cada vez mais fortalecida a gestão democrática. A Padre Pinho precisa de uma gestão democrática para que a comunidade se faça presente, para que possamos ver e ter uma escola transformada através do diálogo. Precisamos de uma escola organizada, mas com o devido cuidado em relação às particularidades que a envolvem”.

Posição do Sinteal

Atento diretamente aos desdobramentos do que está ocorrendo na Escola Municipal Padre Pinho, o Sinteal está ao lado dos/as trabalhadores/as do magistério, no posicionamento contrário à implantação do chamado “ensino cívico-militar”, por entender que ele compromete duramente a gestão democrática e a autonomia das escolas, e também ataca o Artigo 205 da Constituição Federal e à Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que, juntos, estabelecem a função social essencial da escola. Além disso, estudos comprovam, por exemplo, que cada aluno de colégio militar custa 03 (três) vezes mais do que um aluno de escola pública regular.

Apoiando a luta travada na Escola Padre Pinho, o Sinteal diz que: “militarização não é a solução para a educação”!