10 de junho de 2021

Bombeira sofre abertura de processo disciplinar por exercer direito de cidadã

Foto: Reprodução

Após a participação de protestos em defesa da vacina para toda a população e contra o governo genocida de Bolsonaro, a tenente-coronel do Corpo de Bombeiros de Alagoas, Camila Paiva, teve aberto contra ela um processo de reclamação disciplinar.

Mantendo claro que não estava em serviço, e que sua atuação no protesto foi totalmente como cidadã, e não como militar, Paiva reforçou em entrevista a veículos de comunicação que sua motivação seriam as iniciativas do Governo Federal, que além de não ter projetos ainda tem falhado na aquisição de vacinas que salvariam muitas vidas.

Neste mesmo período, o exército brasileiro divulgou a decisão de não punir o ex-ministro da saúde Eduardo Pazuello, por participar de um ato político em defesa do presidente Jair Bolsonaro.

O tratamento diferenciado de acordo com a motivação dos posicionamentos tem sido uma constante no cenário em que o país se encontra. Enquanto o presidente da república reproduz notícias falsas e investe recursos públicos em medicamentos sem eficácia comprovada, lideranças contrárias a ele tem sofrido perseguição por questionar sua atuação.

“No momento em que vivemos, com a democracia ameaçada, é preocupante que uma trabalhadora sofra qualquer tipo de retaliação por se posicionar e questionar de forma respeitosa, a postura de um governo. Manifestamos nossa solidariedade à tenente-coronel Camila, ao tempo em que parabenizamos pela coragem de lutar pela vida junto com a classe trabalhadora”, declarou a presidenta do Sinteal, Consuelo Correia.

De acordo com nota divulgada pela Associação de Juristas pela Democracia (ABJD) em Alagoas a militar não cometeu ato indisciplinar. A nota afirma ainda que o Conseg não teria competência para fazer este tipo de análise, por fugir das prerrogativas legais do colegiado.

Recorrendo à Constituição Federal e mencionando posicionamentos públicos do Supremos Tribunal Federal no tocante à liberdade de expressão, a ABJD garante que Camila estava exercendo este direito, concedido a qualquer cidadão.