1 de abril de 2022

Sinteal e comunidade da Escola Edécio Lopes realizam aula pública na SEMED e clamam por prédio

O estacionamento da Secretária Municipal de Educação de Maceió virou sala de aula manhã desta sexta-feira (1). Há 2 anos sem prédio, desde que a escola foi atingida pela Braskem, educadoras, estudantes, mães e pais se mobilizam pelo direito à educação. Junto com o Sinteal, a comunidade realizou uma aula de cidadania, reunindo pela primeira vez em todo esse tempo, as crianças e profissionais da educação.

“Os meninos estavam ansiosos, acordaram cedo animados porque finalmente hoje tem aula”, disse uma mãe. Tendo aulas online nos últimos 2 anos, as crianças dizem que não estão gostando, que queriam estar de volta à escola.

A sala de aula improvisada com uma tenda no estacionamento foi simbólica. Com cartazes de denúncia sobre a situação dessa e outras escolas do município que ainda estão na mesma situação, a “decoração” da sala deixava claro que se tratava de um protesto.

Na atividade passada pela professora, a lição era sobre os direitos delas. “Toda criança tem direito de estudar”. Enquanto elas faziam a tarefa, mães e dirigentes do Sinteal falavam ao microfone, para tentar sensibilizar o secretário Elder Maia a receber e trazer soluções.

“Ele disse ontem na TV que já tinha feito o pagamento do prédio novo, mas já soubemos que não é verdade. Cada anúncio que ele faz cria expectativa nas crianças e nas mães, mas não se concretiza. Prazos em cima de prazos, e nada de resolver”, disse uma das mães.

Entusiasmadas em rever colegas, professoras e funcionárias da escola, as crianças participaram durante toda a manhã de todas as atividades. Com o papel e o lápis para desenhar, algumas delas decidiram reproduzir a escola, com elas dentro da sala de aula.

Teve hora do recreio, cantiga de roda, e, por fim, a aula de educação física. A professora preparou momentos de muita ação e integração, desenvolvendo conceitos como lateralidade com as crianças.

Apesar de estar presente no gabinete durante toda a manhã, o secretário Elder não aceitou receber as manifestantes. A secretária adjunta Emília Caldas esteve na “sala de aula” e conversou com mães, trabalhadoras e até estudantes. Que cobraram respostas e reforçaram os relatos sobre as dificuldades que estão passando. “Quando é que a gente vai poder voltar para a escola?” disse uma das crianças. Não teve resposta.

Uma professora falou sobre a decepção com o prefeito. “Todo mundo aqui votou no JHC, estávamos cheias de esperança. Se você me perguntar se eu voto nele, hoje eu não voto”.

Consuelo Correia, presidenta do Sinteal, criticou a Prefeitura de Maceió pelo descaso com as comunidades. “Essas crianças estão aqui representando todas as outras que estão sem escola, no Pinheiro e no Bebedouro. Estamos aqui para lembrar ao Prefeito e ao Secretário que é obrigação da gestão garantir educação. Dois anos sem solução? Estamos percebendo que o processo só avança quando a gente se mobiliza e faz pressão. Pois estaremos aqui na luta. Se for preciso a gente acampa aqui na SEMED, até voltar a ter escola para todas as crianças”.