Gênero: contra o ódio, a desrazão e a intolerância
Nessas últimas semanas, com a aproximação do prazo para aprovação dos Planos Municipais de Educação (PME) em todo território nacional, as câmaras dos vereadores de diversas cidades brasileiras se transformaram, infelizmente, em “palcos” de sentimentos e reações de intolerância, desrazão, ódio e rancor. Após inúmeros processos de debate em várias instâncias e com vários setores, os Planos sofreram às mais diversas modificações nas questões referentes a gênero e sexualidade. Em Maceió, alguns dias atrás, na Câmara de Vereadores, enquanto defensores dos direitos humanos, dos movimentos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), ativistas dos direitos humanos, sindicatos e sociedade civil organizada reivindicavam e defendiam que é papel da escola discutir gênero e sexualidade, outras pessoas, portando faixas e cartazes, expressavam um perigoso repúdio ao que foi qualificado como “ideologia de gênero”. Casos semelhantes também se deram em muitas outras cidades brasileiras. O Sinteal acompanha e participa diretamente deste debate e entende que, como bem disse uma professora de escola paulista, nas redes sociais, “discutir gênero é mostrar que pode existir igualdade e respeito na sociedade e na escola, e a gente perde muito tirando esse debate de dentro da escola, que é o lugar onde se formam diversas relações sociais”. No nosso entendimento, a educação deve, sim, aliás, tem a obrigação de discutir gênero e sexualidade, seja porque acreditamos que essa discussão nas políticas educacionais surgiu de um engano absurdo, que não privilegia a realidade e o que realmente necessitamos, seja também porque entendemos que a noção de “igualdade de gênero” na educação busca a construção de um sistema escolar inclusivo, com ações reais e específicas de combate às discriminações que acontecem, infelizmente, no dia a dia de nossa sociedade. O Sinteal se orgulha de ser mais uma de tantas entidades que fazem coro contra as instituições e pessoas que, lançando mão do que há de mais retrógrado e alienante, tentam estigmatizar a discussão de gênero nas escolas. Entendemos o contrário: que discuti-la é garantir um espaço democrático onde as diferenças não se transformem em desigualdades. Assim, necessário faz-se que possamos construir planos municipais de educação que sejam instrumentos poderosos de enfrentamento à discriminação, que evitem a evasão escolar de LGBTs e a violência contra as mulheres nas escolas (como, de resto, na sociedade em geral), que promovam a igualdade de gênero e desconstruam pensamentos e ações machistas e homofóbicas. Só assim poderemos criar as principais e efetivas condições para a construção de uma educação que respeite o próximo e suas diferenças, defendendo a “dignidade humana” em todas as suas acepções.



