Luta das mulheres marcou final de semana em Maceió

O final de semana em Maceió foi marcado por muita luta das mulheres e pela vida das mulheres. Foram dois dias de programação reunindo mulheres e homens nas ruas destacando que ainda há muito a avançar no combate às desigualdades de gênero que mata mulheres todos os dias.
Francisca Feitosa, Secretária de Mulheres do Sinteal, reforça o tema deste ano, que mais uma vez precisou ser sobre a violência. “Ser mulher não deveria ser sentença de morte, e infelizmente seguimos vendo os casos de feminicídio se multiplicando. Queremos direitos iguais, salários iguais, divisão justa do trabalho doméstico e derrubar tantas outras coisas que o machismo ainda nos impõe, mas seguimos sendo mortas, e por isso a violência permanece no centro do debate”.

Segundo ela, a educação é uma trincheira de luta. “Estamos no chão da escola cotidianamente, sendo muitas vezes o espaço de denúncia e acolhimento às mulheres, mas também com o papel de conscientizar as novas gerações. A violência só terá fim através da política pública que passa pela educação, essa é uma bandeira do Sinteal”, reforçou Francisca.
A programação começou na manhã do sábado, 7, com uma ação no Conjunto Paulo Bandeira, no Benedito Bentes. A frente feminista organizou uma roda de debates junto com um espaço de serviços às mulheres da comunidade, que reuniu tanto orientações jurídicas quanto de saúde. O MST organizou uma cozinha solidária para que as mulheres pudessem participar da atividade sem a preocupação de fazer almoço, inclusive de levar o depósito para levar também pra casa pra filhos. As estudantes da UFAL prepararam um espaço para as crianças com recreação, oficinas e brinquedos para as mães ficarem mais livres para poder aproveitar os serviços oferecidos para ela.

No domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, uma grande caminhada na orla marítima de reuniu lideranças de vários movimentos feministas para chamar atenção sobre o fim do feminicídio e todas as formas de violência de gênero, além e pautas que interferem diretamente na vida das mulheres, como o fim da escala 6×1 e a denúncia ao imperialismo norte-americano que vem atacando os países da América Latina.
O ato teve concentração na Praça Sete Coqueiros, e seguiu em caminhada até a roda gigante da praia de Maceió. Ao longo do percurso, se alternaram momentos de falas políticas e de apresentações musicais das grandes artistas alagoanas Mel Nascimento, Fernanda Guimarães, Naná Martins, Mary Alves e Aline Sakura.
Este ano os homens contra o feminicídio construíram uma campanha se colocando como aliados na luta. Respeitando a coordenação, a liderança e o protagonismo das atividades e do dia 8 com as mulheres, eles fizeram convocações para a luta, e passaram a se posicionar publicamente sobre o tema, se dirigindo sempre aos homens. “Nós homens que somos contrários a todo tipo de violência, nós homens, que precisamos conversar com os companheiros, porque são os homens que estão matando as mulheres, são homens que estão violentando as mulheres. Então é o nosso dever denunciar, é o nosso dever combater qualquer forma de machismo, e é nosso dever conversar e formar os companheiros no sentido de acabar com essa violência em nosso estado”, disse o presidente do Sinteal, Izael Ribeiro, em convocação antes do ato.



