Março é mês que, nós mulheres, reforçamos a luta contra todas as formas de opressão e exploração do nosso corpo e do nosso bem viver
A CUT junto com o movimento feminista, as organizações sindicais e sociais definiram duas grandes ações em Maceió
No próximo sábado, (07), de 9h às 14h, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Alagoas, em conjunto com outras organizações da luta feminista, realiza uma Roda de Conversa com o tema “Violência contra as mulheres, como combatê-la, ações necessárias para prevenção e garantia de políticas públicas para as mulheres”. O encontro ocorrerá na rua em frente à Associação Família de Anjos e contará com tendas para distribuição de materiais informativos, escuta qualificada, atividades de defesa pessoal, oficina de cartazes, rodas integrativas de cuidados, feira criativa, cirandas atividades lúdicas para crianças.
Já no domingo, (8), a partir das 9h, as mulheres ocuparão a orla de Maceió com grande manifestação em Sete Coqueiros, na praia de Pajuçara, com o tema “Pela vida das Mulheres, contra o imperialismo, por democracia, soberania pelo fim da escala 6×1”.
“As vozes de mulheres ecoarão durante o percurso até o Marco dos Corais com discursos, palavras de ordem e apresentação cultural das cantoras Mel Nascimento, Mary Alves, Fernanda Guimarães e Aline Sakura. As vozes da resistência e da rebeldia farão um chamado à sociedade para romper com o modelo patriarcal, machista e misógino que ceifam a vida das mulheres física, psicológica e moralmente”, relata Lenilda Lima, secretária de Mulheres da CUT em Alagoas.
A dirigente da Central ressalta a importância da participação feminina na política e a centralidade da Lei 14.611/23, que institui a equiparação salarial e a ratificação de convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), seja a 190, que visa garantir um ambiente livre da violência e do assédio no local de trabalho, e a 156, para combater a discriminação no trabalho relacionadas responsabilidades familiares exercida pelas mulheres serão temas que exigirão mais lutas e compromisso da classe política para assegurar o direito ao trabalho com segurança e equidade.
“A ampliação da participação feminina na política é um tema de extrema relevância numa conjuntura onde a violência política atinge cotidianamente as mulheres que conseguem quebrar as barreiras visíveis, as camufladas e ocupam cargos eletivos. Somente quebrando essa permissividade de controle do poder masculino, que subestima a capacidade, a competência das mulheres e ditam os lugares a elas reservados, podemos pautar políticas públicas voltadas às necessidades e proteção a vida das mulheres. Por isso, a participação política das mulheres é imprescindível em todos os espaços”, afirma Lenilda Lima. “É necessário que as barreiras estruturantes de uma sociedade patriarcal, racista e lesbofóbica sejam combatidas através de políticas transversais e intersetorializadas. Isso se faz numa junção de sociedade e poder público construindo um projeto de sociedade mais humano e com justiça social”, completa a dirigente sindical.
Outro tema central neste 8 de Março será o fim da escala 6×1. Garantir a redução da jornada de trabalho sem redução de salários beneficia diretamente as mulheres devido a sua dupla – às vezes – tripla jornada de trabalho.
“O IBGE nos traz o dado de que as mulheres trabalham 9,6 horas a mais que os homens em afazeres domésticos ou cuidando de pessoas. Também se faz necessário reparar, devidamente, as mulheres negras e indígenas, além de um debate real sobre o orçamento público porque jamais haverá igualdade com cortes em áreas sociais e proteção aos mais ricos”, argumenta Lenilda Lima.
FEMINICÍDIOS
Como não podia deixar de ser, a luta contra o feminicídio marcará as atividades em alusão ao 8 de Março. A camiseta selecionada com a frase “Ser mulher não pode ser sentença de morte” traduz a indignação diante do número de feminicídios e violências múltiplas sofridas pelas mulheres diante da inércia dos governantes. Em 2025, 1.568 mulheres foram mortas apenas pelo fato de terem nascido mulher. Em Alagoas, 29 mulheres sofreram feminicídios.
“A crueldade desses assassinatos sinalizam que o patriarcado, a misoginia tem sido alimentada nas redes sociais e nas instituições políticas onde parlamentares mulheres são desrespeitadas no exercício dos seus mandatos”, comenta Lenilda Lima. “Toda segunda-feira, temos uma manchete de violência contra mulher. O dia do descanso para as mulheres se torna o dia de terror. O inimigo está próximo e cada vez mais ameaçador. É impossível não enxergar esses crimes e mais do que isso, é impossível não vermos uma ação ostensiva para detê-los e de prevenção para a violência não ser naturalizada. Por isso, exigimos políticas públicas e que o Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio e o Plano Nacional de Cuidados sejam implantados pelos governos em todas as instâncias. E que a violência de gênero, racial e lesbofóbica, barreiras estruturantes da sociedade, também sejam removidas. As mulheres têm o direito a uma vida sem medo, fazer suas escolhas, construir seu caminho com liberdade e independência”, completa a dirigente da CUT em Alagoas.





