23 de março de 2026

Sinteal faz ato em defesa das cotas raciais e planta Baobá no balneário

Em um ato público que reuniu entidades do movimento negro em seu balneário, o Sinteal realizou, na última sexta-feira (20), uma ação em defesa das cotas raciais. A atividade, que aconteceu na véspera do Dia de Luta Contra a Discriminação Racial trouxe reflexões sobre o impacto positivo que as cotas já trouxeram desde que foram implantadas, e a preocupação com a tentativa de alguns setores de acabar com essa política pública.

A professora Marluce Remígio, Secretária de Políticas Sociais do Sinteal, membro do Movimento Negro Unificado (MNU) e do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Conepir), alerta para o retrocesso que pode se concretizar caso acabem com as cotas. “A lei de cotas está sendo ameaçada. Vocês imaginem quanto tempo a gente vem nessa discussão dessa lei, que ainda não foi realmente implementada nas escolas, nos serviços públicos, e de repente a gente começa a perceber que está indo para o ralo. E vai depender muito da nossa articulação, da nossa mobilização, para que isso não aconteça”.

Izael Ribeiro, presidente do Sinteal, reforça que essa é uma política pública em que os resultados já são visíveis, e que precisa ser ampliada. Segundo ele, há resistência do racismo estrutural que tenta manter o povo preto longe dos espaços de decisão. “Nunca aceitaram que a gente pudesse chegar até aqui. Vamos dizer que hoje nós estamos na escola pública trabalhando, porque lá atrás, em 2008, no caso, tinha uma lei que garantia o acesso de negros e negras à universidade pública, porque não tinha dinheiro para pagar a universidade privada, não teria chegado à universidade pública, e muito menos ao serviço público”.

A tarefa de todos, segundo ele, é garantir condições para a população negra conquistar o seu espaço. “Então é nosso compromisso, daquelas e daqueles que saíram de lá, que são frutos das primeiras universidades que fizeram adesão à lei de cotas que entraram, que conseguiram se formar, porque não é só dar direito ao acesso, é dar direito à permanência e ao sucesso. Tem que ter êxito, porque a gente sabe a dificuldade que é se manter na universidade, sem você ter renda, sem você ter o dinheiro para viver, para andar em casa, não tem como”.

O ato contou também com o plantio de uma muda de baobá, árvore que simboliza a resistência. “É também um momento onde nós estamos renovando o nosso compromisso contra a discriminação racial desse Estado, desse país, contra todo tipo de preconceito. Nós estamos, para além de plantar o Baobá no nosso espaço, e que nós esperamos que sua força possa ser cultivada e crescer muito, para além da nossa geração, para gerações futuras, que sirva também como motivo da nossa luta, da nossa militância, da nossa resistência. Que possamos, através da força representativa dessa planta, desse baobá, seja nas suas raízes profundas, seja na sua capacidade de acumular água, na sua raiz robusta, que possa também ser a nossa força, a nossa união, que possamos, junto com a nossa comunidade, todos os espaços. Aqui, nós somos um sindicato da educação, então que as escolas sejam um espaço para a luta cotidiana contra o preconceito”.

O grupo finalizou a atividade com uma ação na AL 101 Norte, onde abriu a faixa e levantou cartazes e bandeiras para chamar atenção de motoristas e pedestres sobre a pauta.