6 de abril de 2026

Escola, violência e o avanço do fascismo

O caso recente denunciado em Santa Catarina, em uma escola preparatória militar, escancara algo que vai muito além de um episódio isolado. Quando crianças são incentivadas a repetir cantos que falam em espancar e matar, o que está em jogo não é apenas uma prática pedagógica questionável, mas a naturalização da violência como valor social, encontrando terreno para que ideias autoritárias possam crescer.

Para entendermos a gravidade disso, é precisamos retomar o que é o fascismo: uma ideologia política baseada no autoritarismo, no culto à violência e na construção de uma sociedade hierarquizada, onde a força substitui o diálogo. Historicamente, regimes como o de Benito Mussolini (Itália) e Adolf Hitler (Alemanha), cada um com suas características, transformaram esses valores em política de Estado.

O fascismo não começa com tanques nas ruas, mas, sim, na cultura, na linguagem e nos símbolos. Começa quando a violência deixa de ser vista como problema e passa a ser tratada como solução. Quando crianças são ensinadas a cantar sobre matar inimigos, há um processo de formação subjetiva que banaliza e naturaliza a barbárie.

No caso da escola denunciada, o que se observa é uma pedagogia da brutalidade travestida de disciplina. A ideia de que ordem se constrói pela força e não pelo pensamento crítico, dialoga diretamente com valores fascistas, ficando mais agravado quando envolve crianças em fase de formação.

Atualmente, o fascismo não se apresenta mais da mesma forma que no século 20, não precisando, necessariamente, fechar parlamentos ou abolir eleições de imediato. O fascismo se infiltra no cotidiano, nas redes sociais, nas escolas, nos discursos que exaltam a violência e desumanizam o outro.

Essa nova configuração convive, inclusive, com o discurso de livre mercado, usado por muitos para afirmar que não existe fascismo hoje em dia. Lideranças como Jair Bolsonaro e Donald Trump combinam retórica autoritária com defesa de políticas econômicas liberais, mas isso não é contradição, é adaptação.

O elemento central é o mesmo, com a construção de inimigos internos, o ataque às instituições democráticas e a legitimação da violência como instrumento político. Quando isso se mistura com processos de formação social, como no ambiente escolar, o risco aumenta.

O caso de Santa Catarina relaciona esse tipo de prática à violência policial nas periferias, apontando linha direta entre naturalizar a agressão e tolerar abusos do Estado devido à desumanização na qual o fascismo se sustenta.

O mais preocupante é perceber como essas práticas vão sendo naturalizadas, sendo apresentadas como disciplina, como formação de caráter, como preparo para o futuro. Mas, na prática, funcionam como um treinamento ideológico baseado na submissão e na violência.

Diante desse cenário, a disputa política ganha ainda mais importância. As eleições deste ano não são apenas uma escolha entre projetos administrativos, mas uma definição sobre que tipo de sociedade queremos ter e construir, se baseada na democracia ou na força.

Derrotar a extrema-direita nas urnas é fundamental para conter esse avanço porque não se trata de divergência comum entre campos políticos, mas de impedir que o autoritarismo se consolide como regra.

A história mostra que o fascismo avança quando é subestimado, tendo suas manifestações tratadas como exageros pontuais ou desvios individuais. Por isso, cabe a nós, democratas, reagir com firmeza. Defender a educação como espaço de formação crítica, proteger crianças de discursos violentos e reafirmar valores democráticos é uma necessidade urgente diante do perigoso flerte com o autoritarismo.