O fim da escala 6×1 é uma escolha política
Por Consuelo Correia, presidenta interina do Sinteal
Nesta semana, o noticiário vindo de Brasília nos trouxe a expectativa de avanços na votação da PEC pelo fim da escala 6×1. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (MDB), encaminhou para a comissão específica a avaliação do projeto, que pode ser votado até começo de setembro.
Estamos há mais de um ano cobrando que o projeto avance no Congresso Nacional. Trabalhadores e trabalhadoras já deixaram claro que apoiam amplamente essa proposta, que representa mais dignidade para quem adoece de tanto trabalhar e não consegue viver plenamente o tempo com a família e os amigos, submetido a uma escala exaustiva, que suga a energia de quem trabalha seis dias para ter apenas um de descanso.
O Sinteal e demais sindicatos foram às ruas, cobraram parlamentares, colocando-se ao lado classe trabalhadora. Dialogamos com lideranças políticas e cobramos daqueles que, por interesses que não se explicam diante da realidade da maioria da população, tentam engavetar ou criam obstáculos ao andamento do projeto. O Congresso Nacional precisa entender: uma pauta de interesse dos trabalhadores é uma pauta de interesse do Brasil.
Para além de garantir mais qualidade de vida, o fim da escala 6×1 também pode dar fôlego à nossa economia. Essa é a avaliação da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), do Instituto de Economia da Unicamp, autora do “Dossiê 6×1”.
Em entrevista ao portal da CUT, em março deste ano, ela aponta que a redução da jornada de 44 para 36 horas poderia criar até 4,5 milhões de empregos e elevar a produtividade em cerca de 4%. Estamos falando, portanto, de um incremento importante na economia brasileira, com potencial de impulsionar o comércio e outros setores, contrariando o discurso alarmista sustentado pela extrema-direita no país.
Essa é uma das diferenças entre os projetos políticos que estarão em disputa nas eleições de outubro. De um lado, o presidente Lula defende a ampliação de direitos, a melhoria das condições de trabalho e mais qualidade de vida para a população brasileira. De outro, o projeto da família Bolsonaro representa a defesa de flexibilização direitos trabalhistas priorizando interesses econômicos do mercado financeiro, ao tempo em que defende entregar o país aos Estados Unidos, além de manter o ataque às instituições.
Diante deste cenário, Alcolumbre precisa ouvir as ruas e entender que o Brasil tem pressa. O presidente do Senado precisa assumir sua responsabilidade política e dar andamento, o mais rápido possível, à aprovação do projeto que é uma reivindicação fundamental, e histórica, da maioria da população brasileira. O fim da escala 6×1 é mais dignidade, mais direitos para quem, de fato, mantém nosso país produzindo.



