31 de março de 2023

Golpe de 64 completa 59 anos e se mantém assombrando a memória do país

Foto: Reprodução

O cenário era de guerra. Tanques dentro de cidades como se o governo estivesse enfrentando invasores. O que era na verdade? As forças militares tirando do poder o presidente democraticamente eleito e dando início a uma ditadura que torturou e matou milhares de pessoas no Brasil. No dia 31 de março, chegamos a marca de 59 anos do golpe.

Não é uma data para comemorar, mas também não pode ser esquecida. “Momentos marcantes e de muita injustiça precisam ser sempre lembrados, a história precisa ser contada para que não se repita”, disse o presidente do Sinteal, Izael Ribeiro.

A ditadura militar, foi um momento sangrento, com muitas vidas arrancadas, muitos traumas e cicatrizes que permanecem até hoje na memória de quem vivenciou o período.

As recordações são nebulosas para muita gente. Não havia informação como hoje. É o que conta a professora Helenice Balbino, que na época vivia em Palmeira dos Índios. “A gente ouvia falar de gente próxima que estava sendo procurada, tinha um primo meu em outro estado, um homem da minha cidade que o caso ficou conhecido, mas era tudo muito escondido, eu só tomei conhecimento da situação quando vim estudar na UFAL, aqui na capital”.

Para a classe trabalhadora, a ditadura era um período de muita repressão. Não se falava em direito trabalhista, reajuste salarial ou qualquer questionamento. “Quem fazia isso era taxado de subversivo, comunista, e podia ser preso. Era tanto medo que a gente nem sabia exatamente o que estava acontecendo. Eu trabalhava no interior, em Arapiraca. Quase não recebia informações”, disse a professora Sineide Correia, dirigente do Sinteal.

Sinteal não existia, era proibido, e a associação que representava os professores e professoras, era ligada ao governo, não fazia luta. “Eles faziam uma eleição de faz de conta. Uma vez a Alba Correia e o Élcio Verçosa se candidataram. Quando chegavam lá fazendo campanha eu só ouvia que eles era comunistas, que não podia ser eles”, completou Sineide.

Após o fim da ditadura, o Brasil entrou na era da democratização. Foi criada a Constituição Federal de 1988, onde finalmente servidores/as públicos conquistaram o direito de organização livre e autônoma, para lutar por direitos.

Izael reforça que essa é uma memória que as novas gerações precisam conhecer e preservar. “Eu não vivi a ditatura, nasci após o fim dela. Mas nós que não vivemos isso e hoje fazemos a luta por direitos, precisamos nos apropriar, conhecer a história, para garantir que ela não se repita. Só temos hoje as leis que nos protegem, o direito de fazer luta, porque muita gente resistiu naquele período”.

Para finalizar, o sindicalista alerta para o risco que o país correu recentemente ao ter a democracia ameaçada. “É preciso trazer a memória do que foram aqueles anos de ditadura militar, para que esse movimento que ganhou corpo desde o golpe de 2016 seja apagado. Que nunca mais ninguém neste país deseje a volta de um regime militar que cala, tortura, censura, persegue, escraviza e mata pessoas que ousam lutar”.