16 de abril de 2026

Dia Mundial da Voz: Só autocuidado não basta

A voz é um dos principais – senão o principal – instrumento de trabalho dos professores, com horas em salas de aula exercendo a profissão. Isso, por si só, já seria suficiente para apontar a importância dos cuidados com a voz que os profissionais da educação precisam ter.

Só para se ter uma ideia, em 2023, em Maceió, cerca de 30% dos professores da rede municipal tiraram licença médica por problemas com a voz. Foram mais de 1.200 profissionais fora das salas de aula, evidenciando um quadro que vai além de casos pontuais. No cenário nacional, estudos indicam que até 80% dos professores apresentam algum tipo de sintoma relacionado a distúrbios vocais ao longo da carreira.

Condições como rouquidão, fadiga vocal e disfonia estão diretamente associadas às condições de trabalho, como salas superlotadas, ruído constante e jornadas extensas. Em muitos casos, esses fatores levam ao afastamento temporário ou até definitivo da atividade.

Para Izael Ribeiro, presidente do Sinteal, os cuidados com a voz dos professores vai além do autocuidado. “O autocuidado é importante, mas sem as devidas condições no ambiente de trabalho, é como se estivéssemos enxugando gelo. Condições estruturais, equipamentos de proteção, têm sido uma luta constante nossa porque são questões essenciais para a saúde do trabalhador”, comenta.

Para organizações como a Sociedade Brasileira de Laringologia e Voz, o enfrentamento do problema passa por mudanças estruturais no ambiente escolar e pelo acompanhamento contínuo da saúde dos profissionais.