Libras é instrumento de inclusão na sociedade
Muito mais do que uma ferramenta de comunicação, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é peça central para a garantia de direitos e de inclusão para pessoas surdas. É através desta forma de comunicar que essa população se expressa e se relaciona com o restante da sociedade.
Esta sexta-feira (24), marca o Dia Nacional da Libras, instrumento de cidadania e acesso real à educação para a população surda no Brasil.
Margarete Mota, secretária de Assuntos Educacionais e do coletivo PCD do Sinteal, ressalta a importância da Libras para a comunidade surda.
“A Libras elimina as barreiras de comunicação e permite que a comunidade surda possa participar efetivamente da vida social. A Libras também promove a inclusão educacional porque facilita a interação social entre estudantes surdos e ouvintes, o que consequentemente contribui para o ambiente escolar humanizado e acolhedor e para o desenvolvimento das aprendizagens educacionais”, destaca a dirigente do Sinteal.
Atuando como intérprete de Libras na rede municipal de Maceió na Escola Municipal Padre Brandão Lima – e como professora da educação infantil no CMEI Professora Dulcinete Barros Alves – Kety Lucy Ferreira da Silva é uma das autoras do livro O Segredo do Cabelo de Makena, que narra a história de uma menina de 10 anos de idade que, através da Libras, cria laços de afeto com a mãe e com a avó surda.
“Meu trabalho envolve na rede de ensino é incentivar a inclusão e garantir que os alunos surdos participem de forma igualitária de tudo o que acontece na escola, contribuindo também para a valorização da Libras e da cultura surda no ambiente escolar”, comenta. “O livro nasceu de vivências na escola Padre Brandão Lima e do contexto de estudos no PIBID [Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência], no subprojeto de Educação Bilíngue de Surdos da Ufal, onde atuo como professora supervisora. A obra foi construída coletivamente com oito estudantes de Pedagogia e buscamos criar uma narrativa sensível que rompesse com discursos hegemônicos, celebrando a cultura negra, o protagonismo feminino e a cultura surda”, completa Kety Lucy.
Ela explica que a obra, através de um QR CODE, integra a Libras, potencializando a acessibilidade e difundindo a cultura surda.
“Além disso, se apresenta como um importante instrumento pedagógico, especialmente na escola pública, para o trabalho com a educação antirracista, a valorização das diferenças e da literatura infantil”, emenda.
Para Kety Lucy, trabalhos como o livro O Segredo do Cabelo de Makena, além de promover a representatividade, estimulam a autoestima das crianças e amplia a compreensão da diversidade.
“Quando a escola valoriza diferentes formas de ser, comunicar e existir, ela se torna um espaço mais inclusivo e humano. Além disso, projetos assim ajudam a construir uma educação mais equitativa, onde todos os alunos se sentem vistos, respeitados e pertencentes e a literatura, nesse contexto, é uma ferramenta poderosa, pois ela educa, sensibiliza e transforma”, afirma.
Mesmo com normas legais sobre a Libras em ambientes educacionais, Kety Lucy ressalta haver muitos desafios a serem superados.
“A inclusão na educação pública tem avançado, especialmente após a Lei nº 10.436/2002, que reconhece a Língua Brasileira de Sinais como meio legal de comunicação e expressão. Ainda assim, persistem desafios, como a falta de profissionais qualificados e de formação adequada”, diz. “Apesar disso, também vemos iniciativas muito potentes dentro das escolas públicas, com projetos pedagógicos que valorizam a Libras, a cultura surda e a diversidade. A inclusão real acontece quando a comunicação é acessível e quando o aluno surdo se sente pertencente ao espaço escolar e isso ainda é um caminho em construção”, completa a professora da rede municipal de Maceió.




