30 de maio de 2026

Vitória da classe trabalhadora e derrota do bolsonarismo

Por Izael Ribeiro, presidente do Sinteal

A aprovação da PEC que acaba com a escala 6×1 na Câmara dos Deputados por 461 votos a favor e 19 contra, representa uma das maiores vitórias políticas para a classe trabalhadora em décadas. A redução da jornada de 44 horas para 40 horas semanais, sem corte salarial e garantia de dois dias de descanso, rompe lógica histórica de exploração normalizada no país. A votação expressiva mostrou que a vontade popular venceu apesar das tentativas de manobras bolsonaristas.

É uma conquista que vai na contramão do que foi a era bolsonarista no comando do país, marcada por redução de direitos trabalhistas, previdenciários e sindicais, fragilização da renda e ampliação do desemprego e da precarização do trabalho.

Trata-se de uma diferença colossal entre os governos Lula e Bolsonaro na agenda voltada para os direitos da classe trabalhadora.

Em Brasília, a extrema-direita tentou desfigurar a proposta, apresentando uma emenda, apoiada por centenas de deputados do PL e do centrão, que criava uma transição de dez anos e abrindo brecha para jornadas que poderiam chegar a 52 horas semanais. De Alagoas, só Fábio Costa (PP) assinou esta emenda.

Mas com a repercussão negativa, muitos destes parlamentares passaram a defender publicamente a escala 4×3. Uma mudança repentina de discurso com o objetivo de tentar inviabilizar o acordo construído em torno da proposta aprovada e confundir a percepção sobre quem está ao lado da classe trabalhadora.

A estratégia ficou ainda mais evidente após declarações públicas de integrantes do bolsonarismo admitirem que o objetivo era provocar desgastes em caso de aprovação e jogar a culpa sobre a esquerda, o que foi devidamente denunciado por lideranças governistas. Esta tática foi movida por desespero por entenderem que esta é uma pauta que beneficia a reeleição do presidente Lula.

Mesmo diante das manobras, prevaleceu a pressão social construída por sindicatos, movimentos populares e milhões de trabalhadores que conhecem na pele o desgaste físico e mental imposto pela escala 6×1, sendo importante frisar o papel fundamental do governo Lula para definir o compromisso da presidência da Câmara dos Deputados para colocar a proposta em votação.

A votação é fruto de uma demanda concreta da sociedade brasileira, especialmente da classe trabalhadora mais precarizada que gerou pressão junto aos parlamentares, ampliada pela proximidade do período eleitoral.

A aprovação da PEC ocorreu sob exaltação de uma narrativa repetida há décadas. Parlamentares bolsonaristas, em seu estado natural de ódio à classe trabalhadora e aos mais pobres, repetiram à exaustão argumentos de fim das férias e demissão em massa no padrão histórico quando do surgimento de leis de férias remuneradas, 13º salário, descanso semanal e salário-mínimo. Todos esses direitos sobreviveram e se consolidaram como pilares mínimos de dignidade.

Apesar de nossa classe dominante, a economia brasileira é diversificada e possui uma demanda que possibilita a garantia de direitos trabalhistas sem que empresas quebrem. O problema não está em leis trabalhistas, está na cooptação do Estado brasileiro para dar benefícios a grandes capitalistas em detrimento do desenvolvimento social no país e na mentalidade escravocrata de muitos patrões país afora.

O recado político já foi dado. A maioria da Câmara dos Deputados, por apoio popular à pauta e pela pressão por sua aprovação, escolheu ficar registrada do lado de quem trabalha. Chegou a vez de pressionar o Senado, mesmo sendo este um tema que nem deveria precisar de pressão. É a realidade, mais uma vez, nos impondo a urgência de melhorarmos nossa representação em Brasília elegendo quem, de fato, será voz da maioria do povo brasileiro.