Em vez de explicar o Iprev, JHC processou o Sinteal e a mim
Por Izael Ribeiro, presidente do Sinteal
Quando o dinheiro da aposentadoria dos servidores públicos está em jogo, o silêncio não pode ser uma opção. Foi exatamente por isso que o Sinteal, juntamente a outras entidades sindicais, procurou a Polícia Federal, em 18 de junho, para pedir urgência nas investigações sobre os R$ 177,9 milhões aportados pelo Iprev Maceió nas letras podres do Banco Master.
Estes recursos foram descontados todos os meses dos salários de quem passou a vida trabalhando e de quem ainda está na ativa para garantir uma aposentadoria digna no futuro.
A postura esperada de qualquer gestor público seria a transparência absoluta, abrir documentos, dirimir dúvidas, apresentar estudos técnicos, demonstrar critérios e tranquilizar a sociedade. Mas em vez de responder aos questionamentos, JHC decidiu recorrer à Justiça contra o Sinteal e contra a minha pessoa.
E, para piorar, dando caráter eleitoral à medida adotada pelo movimento sindical, já que recorreu à Justiça Eleitoral, criando uma cortina de fumaça ao pleito legítimo da representação da classe trabalhadora, mas a Justiça Eleitoral indeferiu a ação contra o Sinteal e contra mim.
Aliás, JHC, segundo levantamento recém-divulgado, já abriu mais de 30 processos contra comunicadores por cobrarem respostas sobre os milhões aplicados no banco de Daniel Vorcaro.
Essa postura de JHC levanta questões inevitáveis: por que processar quem está fazendo perguntas legítimas sobre o destino de R$ 117,9 milhões pertencentes aos servidores? Por que tentar transformar uma cobrança por transparência em uma disputa judicial?
Nenhum sindicato pode aceitar que a defesa dos direitos dos trabalhadores seja tratada como ofensa ou se intimidar ao exercer seu papel constitucional de fiscalizar, questionar e representar sua categoria.
Fomos à Polícia Federal pedir investigação e não fomos pedir condenação prévia de ninguém. Fomos solicitar apuração dos fatos, identificação de responsabilidades e esclarecimentos sobre uma operação que gera preocupação entre servidores ativos, aposentados e pensionistas.
Quem não deve não teme, já dizia a máxima popular. Quem confia na correção dos atos praticados deveria ser o primeiro interessado em que tudo fosse esclarecido da forma mais ampla possível e não processar quem faz perguntas.
Em uma democracia, sindicatos não existem para aplaudir governantes, mas para defender trabalhadores. E isso significa cobrar explicações sempre que houver dúvidas sobre recursos públicos que pertencem à categoria.
O que estamos tratando de um fundo previdenciário e, se houver prejuízo, a conta não pode recair sobre os servidores e sobre aposentados que contribuíram durante décadas acreditando na proteção do sistema previdenciário.
A população tem o direito de saber quem autorizou os investimentos, quais análises de risco foram realizadas, quais garantias existiam e quais medidas serão adotadas para proteger integralmente os recursos do instituto.
O Sinteal não recuará porque não aceitamos intimidações. Não aceitamos tentativas de cerceamento da nossa atuação sindical. Continuaremos defendendo cada trabalhadora e cada trabalhador que contribui para o Iprev e que tem o direito de saber o que está acontecendo com o seu patrimônio previdenciário.
Este debate não será encerrado por processos judiciais, pois não deixaremos de lutar enquanto houver dúvidas sobre recursos que pertencem aos servidores públicos de Maceió.




