6 de junho de 2026

Família Bolsonaro e Trump voltam a atacar o Brasil

Por Izael Ribeiro, presidente do Sinteal

O bolsonarismo segue empenhado em arruinar qualquer avanço civilizatório. A PEC 12/2026, a “PEC da Escravidão” elaborada por bolsonaristas, surgiu justamente após o avanço da proposta que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6×1. Em vez de ampliar direitos, a iniciativa abre caminho para a flexibilização das relações trabalhistas e para o fim de garantias históricas. A única senadora de Alagoas a assinar esse ataque foi Eudócia Caldas, mãe de JHC, ambos do PSDB.

Embora seus defensores falem em liberdade de contratação, a realidade do mundo do trabalho no país mostra que a negociação entre patrão e empregado não ocorre em condições de igualdade. Quando a classe trabalhadora precisa aceitar qualquer condição para garantir sua renda, a chamada liberdade costuma beneficiar apenas quem tem mais poder econômico.

Ao mesmo tempo em que o bolsonarismo tenta enfraquecer direitos trabalhistas, os Estados Unidos de Donald Trump aumentam a pressão sobre o Brasil. A volta do tarifaço com a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros ameaça exportações, empregos e investimentos. Quem paga a conta não são políticos ou bilionários, mas trabalhadores, produtores e empresas nacionais que dependem do mercado internacional.

A situação se torna ainda mais grave quando o PIX aparece entre os alvos. O sistema criado pelo Banco Central transformou a forma como brasileiros realizam pagamentos e transferências, reduzindo custos e aumentando a inclusão financeira. Trata-se de uma das maiores inovações já produzidas pelo Estado brasileiro nas últimas décadas.

Atacar o PIX significa atacar uma ferramenta que beneficia milhões de pessoas todos os dias. Não é difícil compreender por que grandes interesses econômicos internacionais enxergam o sistema brasileiro como um obstáculo aos seus negócios, já que este instrumento diminui o poder das empresas de cartões de crédito. O problema surge quando agentes políticos nacionais passam a atuar em sintonia com essa pressão externa, num verdadeiro comportamento antipatriota e de lesa-pátria.

Flávio Bolsonaro reuniu-se com Donald Trump em meio à exposição de suas relações de irmandade com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e responsável pela maior fraude bancária da história, como forma de unir seu entreguismo e buscar ofuscar estas revelações, dando continuidade aos ataques estimulados pela família Bolsonaro executados por Eduardo lá dos Estados Unidos.

Enquanto o governo Lula busca defender a economia e a soberania nacionais, preservar empregos e manter instrumentos de soberania financeira, o bolsonarismo aposta na geração e agravamento de crises como tática política. A lógica é simples: quanto pior para o governo, melhor para a oposição, ainda que o prejuízo recaia sobre o país inteiro. Aliás, para eles, o povo brasileiro que se lixe.

A combinação entre a PEC da 7×0, o ataque ao PIX e as tarifas impostas pelos Estados Unidos revela a real face política do momento atual. De um lado, aqueles que defendem mais proteção ao trabalho, fortalecimento da economia e a soberania do Brasil. Do outro, pessoas dispostas a retirar direitos, enfraquecer instrumentos nacionais e até estimular e celebrar pressões estrangeiras quando isso pode gerar dividendos eleitorais.

A história mostra que nenhum país se desenvolveu abrindo mão da defesa de sua classe trabalhadora, de suas empresas e de sua soberania. O Brasil não seguirá esse caminho se aceitar que interesses externos ou projetos políticos entreguistas e autoritários se sobreponham aos interesses da população. É por isso que a discussão sobre a PEC da 7×0, o PIX e as tarifas de Trump trata-se de um debate sobre que país queremos construir e do peso das eleições de outubro.