20 de junho de 2026

Lula é a principal voz por um mundo menos desigual

Por Izael Ribeiro, presidente do Sinteal

Em um cenário internacional marcado por guerras, tensões comerciais e crescimento das desigualdades, o presidente Lula voltou a ocupar o espaço entre líderes mundiais de porta-voz da luta contra a fome, a pobreza e a exclusão social, em defesa da soberania dos países.
Durante a reunião do G7 – grupos das sete maiores economias do mundo, à qual o Brasil foi convidado a participar –, realizada na França, Lula alertou sobre a falência de um modelo econômico que, nas últimas décadas, tratou a desregulamentação dos mercados, o Estado mínimo e a austeridade fiscal como verdades incontestáveis, destacando que resultado foi o agravamento das desigualdades e o enfraquecimento das próprias democracias.
Os números ajudam a explicar a preocupação do líder brasileiro. O planeta produz riqueza em níveis sem precedentes, mas a concentração de renda também alcançou patamares históricos. Enquanto alguns indivíduos acumulam fortunas trilionárias, bilhões de pessoas continuam sem acesso a direitos básicos, como alimentação, saúde e educação.
Não é a primeira vez que Lula leva essa discussão aos principais fóruns internacionais. Inclusive, isso tem sido uma marca desde seu primeiro governo, na primeira década dos anos 2000. E, desde o início de seu terceiro mandato, nosso presidente tem defendido mudanças das instituições financeiras globais, o multilateralismo e mais financiamento ao desenvolvimento sustentável e às políticas de combate à pobreza.
A postura do presidente Lula originou a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada pelo Brasil durante presidência do G20, entre dezembro de 2023 e novembro de 2024, para mobilizar governos, organismos internacionais e instituições financeiras em torno de ações concretas para reduzir insegurança alimentar e desigualdades sociais.
E agora, no G7, Lula também demonstrou firmeza sobre o combate ao crime organizado, ao defender cooperação internacional, compartilhamento de informações e fortalecimento das instituições, mas sem que isso desrespeite a soberania dos Estados nacionais.
A posição brasileira ganha maior dimensão devido ao contexto atual de crescente utilização de instrumentos extraterritoriais e de pressões políticas e econômicas por parte das grandes potências, em especial os Estados Unidos sob Donald Trump. Ao insistir no respeito à soberania, Lula reafirma um dos pilares históricos da diplomacia brasileira, presente em nossa Constituição: a autodeterminação dos povos e a solução cooperativa dos conflitos.
O presidente Lula ainda defendeu que os países em desenvolvimento tenham acesso às tecnologias mais avançadas e participem das etapas de maior valor agregado das cadeias produtivas associadas aos minerais estratégicos, as tais terras raras, em vez de permanecerem apenas como exportadores de matérias-primas. O Brasil, inclusive, detém a segunda maior reserva do planeta desses minerais.
A participação de Lula nesta reunião G7, como nas demais participações em fóruns internacionais, representou uma defesa clara de um modelo de desenvolvimento que combine crescimento econômico, combate à pobreza e à fome, cooperação internacional e respeito à soberania nacional dos países.
Em um mundo cada vez mais marcado pela concentração de riqueza, pela ascensão de discursos autoritários e pela erosão da solidariedade internacional, Lula relembra que o combate à pobreza e à desigualdade são indispensáveis à estabilidade das democracias à construção de uma ordem internacional mais justa e equilibrada, resgatando a lógica dos princípios de fundação da ONU, como a igualdade soberana, a boa-fé e a solução pacífica de controvérsias, que baliza – ou deveria balizar – os demais fóruns internacionais.