Família Bolsonaro, onde o golpismo de pai para filhos
Por Consuelo Correia, presidenta interina do Sinteal
Flávio Bolsonaro repetiu Jair Bolsonaro em ataques às urnas eletrônicas brasileira a embaixadores; Eduardo Bolsonaro recebeu um green card como premiação por sua investida contra a economia brasileira. O golpismo da família Bolsonaro, passado de pai para filhos, está mais ativo que nunca.
Durante uma reunião com embaixadores, Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato a presidente da República pelo PL, afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras não são seguras, que são da empresa venezuelana Smartmatic e que um relatório da CIA mostra que a empresa estaria envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012. Essa informação é falsa e já foi desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral pela primeira vez ainda em 2017.
Eduardo Bolsonaro recebeu do governo estadunidense o green card, documento de residência permanente que permite a estrangeiros viver e trabalhar legalmente nos Estados Unidos sem restrições. O documento lhe foi dado em tempo recorde, o que só reforça a tese de ser um pagamento por seus serviços contra o Brasil. Donald Trump usa o acesso aos Estados Unidos como moeda de troca, um brinde a quem atende seus interesses.
Eduardo Bolsonaro é um foragido da Justiça brasileira condenado a mais de quatro anos de prisão por coação no curso do processo por ter atuado para constranger ministros do Supremo Tribunal Federal durante julgamento de Jair Bolsonaro pela trama golpista que culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Nos Estados Unidos, Eduardo passou a estimular e articular ataques à economia e às instituições brasileiras bancado, ao que parece, com dinheiro de Daniel Vorcaro, segundo revelações da imprensa acerca das relações de Flávio Bolsonaro com o dono do Banco Master.
A aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, que foram defendidas por Flávio e Eduardo Bolsonaro, são parte de um redesenho geopolítico idealizado por Trump de pôr países de joelhos em detrimento de suas economias e soberanias e, no Brasil, tem foco especial no PIX e nossas terras raras.
O que o país tem visto nos últimos meses é o golpismo capitaneado pela família Bolsonaro a todo vapor, acelerado recentemente devido ao isolamento político ao Flávio Bolsonaro se encontra, incapaz até de unificar o bolsonarismo em torno de sua pré-candidatura ao Planalto. Como alternativa, tiraram a fantasia e passaram a expor a verdadeira face da família, avessa à democracia e aos interesses do Brasil.
Essa escalada golpista não ocorre por acaso, mas como uma tática desesperada de sobrevivência política diante das sucessivas investigações que cercam a família Bolsonaro. Sem um projeto real para o desenvolvimento do país, a narrativa do ressentimento e do boicote institucional torna-se o único ativo capaz de mobilizar sua base. Ao subordinar a soberania e a estabilidade institucional e financeira do país a seus interesses eleitorais, os Bolsonaros confirmam sua disposição para sacrificar setores econômicos inteiros do Brasil em troca de manutenção de poder, escancarando um patriotismo de fachada que põe em risco nossa democracia.
O projeto político do bolsonarismo nunca foi sobre governar para todos e construir um Brasil justo e democrático. Que a classe trabalhadora esteja atenta: não só há um plano de ataque à nossa democracia, como ele já está sendo executado, cujo objetivo é subordinar nosso país a interesses estrangeiros, impor um regime autoritário e reestabelecer espaços de poder à família Bolsonaro.



