4 de julho de 2026

A farsa bolsonarista e o voto feminino

Por Consuelo Correia, presidenta interina do Sinteal

A essência do bolsonarismo sempre foi moldada pelo preconceito estrutural e pela instrumentalização espúria do debate público. Recentemente, essa faceta machista e excludente ficou explícita nas declarações do comunicador extremista Paulo Figueiredo. Ao atacar abertamente a participação das mulheres no processo eleitoral, a extrema-direita expõe suas entranhas patriarcais e o profundo desprezo que nutre pela construção de uma sociedade que seja verdadeiramente igualitária, justa e democrática.

Em seus comentários, Figueiredo afirmou de forma categórica que as mulheres “votam mal”, reduzindo a autonomia política de mais da metade da população brasileira a um julgamento eivado de preconceito. Segundo sua visão distorcida, as cidadãs solteiras seriam incapazes de escolher seus representantes, enquanto as casadas apenas mimetizariam os votos de seus maridos. Ao classificar a busca por representatividade como uma ameaça ideológica, ele tenta silenciar e criminalizar lutas históricas.

Diante da péssima repercussão e do medo real de perder espaço nas pesquisas de intenção de voto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro ensaiou uma reação calculada. O senador apressou-se em divulgar uma nota de repúdio contra o aliado, sob a alegação de que as falas eram equivocadas e ofensivas. O movimento estratégico foi uma tentativa desesperada de conter danos e tentar limpar a imagem da chapa com o eleitorado feminino, simulando um respeito e uma empatia que o bolsonarismo nunca possuiu de verdade.

Contudo, a máscara da moderação bolsonarista caiu rapidamente da forma mais vergonhosa e patética possível para o cenário político. O próprio Paulo Figueiredo veio a público desmascarar a farsa, revelando que o suposto repúdio foi um mero jogo combinado nos bastidores do partido. Com um cinismo assustador, o aliado confessou ter sugerido que Flávio o desautorizasse publicamente para “fazer do limão uma limonada” e conseguir enganar as eleitoras através de uma encenação barata e arquitetada.

Esse teatro político de mau gosto comprova que o respeito do bolsonarismo pelas mulheres é completamente inexistente e meramente instrumental. Trata-se de uma armação fria para ludibriar as cidadãs com discursos planejados por pura conveniência de campanha. As brasileiras são vistas por esse grupo não como sujeitos de direitos e transformações, mas como meras estatísticas a serem manipuladas através de mentiras articuladas por uma dinastia que teme perder o poder para a diversidade.

Contra esse cenário de trapaças e retrocessos intelectuais, a presença ativa das mulheres nos espaços de poder político se mostra mais urgente e vital do que nunca. O voto feminino não é manipulável; ele é uma força transformadora, soberana, consciente e essencial para o fortalecimento e a oxigenação da nossa jovem democracia. É através da autonomia das eleitoras que o país pode construir barreiras sólidas contra o avanço de discursos autoritários que tentam colonizar as liberdades individuais.

Portanto, derrotar o bolsonarismo nas urnas tornou-se uma necessidade civilizatória urgente para resgatar a dignidade institucional do Brasil e proteger os direitos conquistados a duras penas. Enquanto a extrema-direita conspirar nas sombras para arquitetar farsas cotidianas e depreciar a capacidade eleitoral feminina, a resistência democrática precisará avançar com firmeza. O futuro do país passa, obrigatoriamente, pelo sepultamento definitivo dessa política machista, cínica e nociva.