Julho das Pretas: Sinteal realiza palestras em Santana do Ipanema

Para dialogar com jovens estudantes da rede estadual, o Sinteal promoveu, na tarde desta terça-feira (28), duas palestras com a temática voltada para o empoderamento da mulher negra. Na Escola Estadual Mileno Ferreira, convidadas pelo Núcleo Regional do Sinteal Santana do Ipanema, Jessica Vianna e Aparecida Nunes dos Santos contaram suas histórias de superação enquanto mulheres negras através da educação.
Francisca Feitosa, Secretária da Mulher do Sinteal, ressaltou a necessidade de manter o enfrentamento a problemas que perduram no nosso país. “A gente precisa falar da questão do racismo. No Brasil ele está em toda parte. Trazer uma temática desta para o chão da escola é dizer que a educação precisa mudar os rumos desta história. A gente diz que são 500 anos de colonização, porque a gente ainda não conseguiu derrubar algumas barreiras como a barreira do machismo, do racismo, da misoginia, da LGBTfobia. São várias barreiras que a gente ainda precisa derrubar para dizer que de fato o Brasil é um país descolonizado”.

A iniciativa faz parte da programação do Julho das Pretas, mês que dá visibilidade à história de Tereza de Benguela e à Mulher Preta Latino Americana e Caribenha. Marluce Remígio, Secretária de Políticas Sociais do Sinteal e Coordenadora do Movimento Negro Unificado de Alagoas também fez uma saudação.
“É um prazer enorme estar com vocês. Vivemos uma era que vem acontecendo muitas violências dentro da escola no nosso país, e é preciso essa tomada de consciência de que cada um e cada uma aqui tem o seu valor, merece respeito, principalmente as meninas negras que estão dentro da escola”.

A professora da educação especial Jessica Vianna, psicopedagoga, analista do comportamento e mestranda em educação, falou sobre comportamentos preconceituosos, principalmente racistas e machistas, que ainda se perpetuam no ambiente escolar. Ela contou sua história, sua experiência desde estudante, e trouxe ensinamentos a estudantes para que eles sejam uma geração transformadora, que marquem uma mudança de sociedade com suas atitudes livres de preconceito.

“Foi através da educação que eu transformei a minha vida. Eu sempre fui uma pessoa crítica e sempre criticava, então eu sempre coloquei na minha mente que não é porque eu nasci pobre que eu vou continuar sendo pobre a vida inteira. Então eu gostava muito de ler e lia sobre esse assunto, via que a maior população carcerária era a população preta, que os serviços domésticos quem fazia era a mulher preta, os serviços braçais era o povo preto. Então eu coloquei na minha mente que eu não iria fazer parte dessa estatística, pelo contrário, eu ia ser a exceção dessa estatística e abrir caminhos para que outras mulheres pretas e homens pretos tenham a consciência de que nós também podemos mudar nossa situação”, disse Jéssica.
A segunda palestra foi da quilombola Aparecida Nunes, que hoje cursa o 5º período de pedagogia na UNEAL. Ela trouxe a importância de reforçar as raízes familiares que carrega, contou sobre a dificuldade que passou ao precisar trabalhar em casa de família e estudar a noite, tendo que ir de outro município todos os dias para ter acesso à escola, e de maus tratos que vivenciou nesse trajeto.

“Se vocês hoje tem a sorte de contar com incentivos, como o pé de meia ou o bolsa família, aproveitem, não foi assim pra quem veio antes. Eu tive que parar os estudos, só depois de muitos anos consegui entrar na universidade, e não foi porque eu quis, foi porque eu não podia”, contou a futura pedagoga.
Aparecida motivou a plateia a refletir sobre quem são as Terezas de Benguela de suas vidas, normalmente mulheres que trabalham incansavelmente para que eles tenham uma vida melhor.















