11 de julho de 2026

Valorização dos Educadores vai além do financeiro

Por Consuelo Correia, presidenta interina do Sinteal

Entre maio e junho, a Caravana do Sinteal percorreu escolas por todo o estado de Alagoas, dialogando com diversas companheiras e companheiros que estão no chão da escola. Entre os maiores questionamentos: a falta de valorização dos educadores, mas para além, puramente, das questões salariais e de condições de trabalho. Esta é uma sensação que vem tomando conta da categoria nos últimos anos e que parece ganhar força a cada dia.

Valorização é muito mais que questão financeira, e reconhecimento das trabalhadoras e trabalhadores da educação como seres humanos, de fato, com suas dores, preocupações, expectativas e limitações.

Vivemos sob constante pressão e se as condições de trabalho não bastam, tampouco são desnecessárias. A falta de condições adequadas, estudantes cada vez mais arredios e a necessidade de cumprimento de jornadas estafantes estão nos adoecendo. E, neste cenário, a carreira é cada vez mais socialmente desvalorizada, fazendo com quem já está na sala de aula deseje trocar de profissão e afastando quem poderia ter interesse em se tornar professor.

Segundo pesquisa do Instituto Semesp, até 2040 o Brasil poderá ter déficit de até 235 mil docentes na educação básica. O potencial apagão de professores se deve ao abandono precoce da profissão, ao envelhecimento da categoria e à falta de interesse dos jovens na licenciatura. O estudo ainda apontou que existe rejeição à carreira docente de forma recorrente entre os jovens.

Ainda de acordo com o Semesp, fatores como a ausência de identificação pessoal com a docência, as condições sociais e financeiras de exercício da profissão, a própria experiência escolar dos alunos e até por influência familiar foram apontadas como principais motivos desse sentimento de desestímulo.

Portanto, como vamos convencer os jovens a se dedicarem a uma vocação para educar, enquanto vemos casos como o da professora que teve seu copo com água manipulado com um caco de vidro em São Paulo agora no mês de junho? Qual o sentimento que aquela colega teve sobre sua vida, sobre a profissão que escolheu exercer diante de alunos que, por “brincadeira”, atentaram contra a vida?

Ou como incentivar novos educadores a investirem na carreira quando ouvem de um produtor rural de Altamira, no Pará, que “só bosta quer ser professor”? Como convencer alguém a seguir uma profissão tão desrespeitada?

Esses casos recentes são exemplos de como a desvalorização da nossa profissão vai atingindo um patamar perigoso, onde a sociedade cada vez mais se mostra desinteressada no reconhecimento de quem está nas salas de aula.

O avanço desse tipo de discurso só amplifica esse cenário e nos coloca a urgência de pensarmos, enquanto sociedade, sua superação.

Essa é uma questão complexa e que necessita a construção de diálogo com amplos setores, seja do poder público e da sociedade civil, pois a valorização profissional vai além do financeiro e se nossa sociedade não entender isso agora, seguiremos em um caminho sem volta para a irrelevância da profissão.