11 de agosto de 2026

Dia do Estudante: Sinteal destaca importância da autonomia dos Grêmios estudantis

No dia do/a estudante, o Sinteal presta suas homenagens a todos e todas que são a razão de existir da educação. E para celebrar essa classe, ressalta a atuação dos grêmios estudantis, primeiro espaço de organização e luta que ao longo da história conquistou direitos.

O professor de História Lucas Soares, Secretário Geral do Sinteal, explica como surgiram. “Os grêmio estudantis são organizações autônomas garantidas pela lei de estudantes secundaristas com caráter político, cultural, social e esportivo. Os primeiros registros de grêmios no país datam do início do século XX. No Brasil existe a lei que garante a autonomia organizacional dos grêmio, a Lei do Grêmio Livre de 1985”.

Lucas destaca a importância desse espaço. “Os grêmios têm um papel fundamental para a construção da educação, e conscientização dos estudantes sobre o papel dos mesmos durante a sua vida estudantil. Em nível local a antiga UESA teve papel destacado na formação dos estudantes e na luta por educação de qualidade, bem como a luta pela meia entrada estudantil”.

Na atual conjuntura do estado de Alagoas, no entanto, o dirigente do Sinteal faz uma ressalva sobre a interferência da gestão na formação dos grêmios. “Em Alagoas, em especial na rede estadual, o que vemos é uma cooptação das organizações estudantis secundaristas! O Estado e a Secretaria de Educação aproveitaram um vácuo político de ausência organizacional dos estudantes e passou a construir Grêmios sem autonomia, ou grêmios não livres”.

Com isso, Lucas alerta para a distorção do papel dos grêmios na rede. “Os grêmios deixaram de ser organizações autônomas e livres, para ser organizações ligadas a direções escolares. É muito comum ver gremistas organizando filas de almoço, abrindo portão nas escolas entre outras atividades que deveriam ser garantidas por funcionários e funcionárias do Estado, mas pela ausência de concurso público para funcionários escolares, tais tarefas viram funções do Grêmio”.

Pablo Henrique é estudante do 2º ano da Escola Estadual Princesa Isabel. Ele está na presidência do Grêmio desde março deste ano. Na visão dele, essa é uma forma de se construir como cidadão. “Eu vejo o grêmio como uma ferramenta de organização e de luta dos estudantes. A escola não é só o lugar onde a gente recebe conteúdo, onde a gente tem aula, é um espaço também que a gente aprende a participar da sociedade defendendo os direitos, construir coletivamente o que a escola precisa. O grêmio precisa ser a voz dos estudantes, principalmente daqueles que muitas vezes não são ouvidos pela gestão, coisa que infelizmente é comum. Não pode ser só uma entidade para organizar eventos, mas também tem que ser um instrumento de participação e democracia dentro da escola”.

Ele conta como tem sido a experiência de liderar. “Para mim tem sido difícil, estar na presidência significa lidar com várias pessoas, diferentes opiniões, conflitos, cobranças. Muitas vezes tem que defender aquilo que a gente acredita, mesmo quando é mais fácil ficar calado. Mas também tem sido uma experiência muito importante pra mim. Eu tenho aprendido a representar os estudantes, não significa falar por eles, mas tipo criar um espaço onde todo mundo possa falar, participar e contribuir com suas ideias”.

Nesses meses de atuação, ele descreve algumas das ações que tem priorizado. “A gente tem buscado construir um grêmio mais presente na escola, no cotidiano da escola, fugir daquela famosa alienação. Não em épocas de eleição, de eventos que a gente participa mais, mas a gente vai tentar participar com atividades culturais, esportivas, ações de integrações, campanhas de solidariedade e outras formas de participação de estudantes em geral. Cada ação parte de uma ideia de algum aluno, então a gente trabalha com essa contribuição dos alunos. No fim, eu acredito que uma organização estudantil é uma forma de transformar a realidade. A gente já conseguiu transformar a realidade dos alunos criando uma agência de comunicação para a escola, dentre outras coisas que a gente ainda pretende fazer no decorrer dos anos de nosso mandato”.