Flávio Bolsonaro: vazio de ideias e contra os trabalhadores
Por Consuelo Correia, presidenta interina do Sinteal
Nesta semana, Alagoas teve a infelicidade de receber o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), que iniciou sua campanha no Nordeste aqui porque seu candidato a vice é Alfredo Gaspar (PL). Como de costume, promessas carregadas de bravatas e conteúdo vazio diante de uma mente que nada tem a apresentar ao povo brasileiro, exceto ataques às instituições e mentiras afirmando querer defender os interesses da população. Mas como diz o ditado popular, a teoria na prática é outra.
Após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), liberar a tramitação da PEC do fim da escala 6×1, Flávio Bolsonaro mobilizou seus aliados para atrapalhar o andamento desse tema que, além de urgente para quem verdadeiramente trabalha, é aprovada por ampla maioria de brasileiros e brasileiras.
Ora, por que uma pauta aprovada por ampla maioria não seria de interesse – mesmo que eleitoral – de um candidato a presidente? Porque na mente pequena do bolsonarismo, o fim da escala 6×1 beneficia eleitoralmente a reeleição do presidente Lula (PT). Ou seja, se pais e mães de família estão sem tempo para cuidar de si e de seus filhos, isso é menor que a disputa eleitoral em curso.
Por quê? Por que Flávio Bolsonaro quer entregar nossas riquezas e nossa soberania a Donald Trump e, lógico, tensionar as instituições e sociedade brasileira para impedir que seu pai, Jair Bolsonaro, cumpra a pena de 27 anos e 3 meses de prisão por atentar contra nossa democracia.
Foi amplamente noticiado pela imprensa que, após a PEC do fim da escala 6×1 chegar à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, último passo antes de ir à votação no plenário, Flávio Bolsonaro mobilizou senadores aliados para impedir que o projeto seja aprovado neste momento.
Tudo por um capricho eleitoral de um candidato que, não fosse a ascensão desse neofascismo moderno, sequer seria candidato a presidente da República diante do vazio de ideias e o baú recheado de suspeitas de envolvimento com práticas criminosas, como sua “irmandade” com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, responsável pela maior fraude financeira na história do Brasil.
A verdade é que, por trás das promessas vazias e discursos rasos, Flávio Bolsonaro é somente repetidor aquilo que grandes empresários querem ouvir, especialmente os da Faria Lima, centro financeiro do país.
A alternativa do PL, de Flávio Bolsonaro, contra o fim da escala 6×1 é retirar direitos propondo que trabalhadores negociem diretamente com patrões por hora trabalhada, vendendo essa tese como algo moderno, mas omitindo as condições desiguais entre empregado e empregador em uma negociação.
Mobilizar toda uma bancada de extrema-direita para barrar o avanço de uma PEC que é reivindicada por trabalhadoras e trabalhadores há, pelo menos, um ano só comprova o real interesse do bolsonarismo: beneficiar os ricos, enquanto quem trabalha vê as relações de trabalho retrocederem em décadas ou mais de um século talvez.
Além, por óbvio, beneficiar a própria família, libertando um condenado a tentativa de golpe de estado, nem que para isso tenha que entregar o país para gerência dos Estados Unidos, governado por Donald Trump e o seu projeto megalomaníaco de controle da América latina.
Em ano eleitoral, é importante que as companheiras e os companheiros atentem aos riscos. Mais uma vez, estaremos diante da oportunidade de mudarmos a composição do Congresso Nacional, que está sob forte domínio de quem atua para retirar nossos direitos. É muito importante entendermos quem realmente está disposto a lutar ao nosso lado na garantia de melhorias reais para a qualidade de vida da classe trabalhadora.



