19 de setembro de 2026

Flávio Bolsonaro quer nos matar de fome

Por Consuelo Correia, presidenta interina do Sinteal

O título deste artigo pode chocar, mas a afirmação é válida baseada no que defende a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) a Presidência da República. De acordo com a economista Daniella Marques, que é a coordenadora das políticas econômicas de sua campanha que tem deixado explícito que o modelo econômico do bolsonarista vai copiar o que foi implantado na Argentina por Javier Milei, caso ele seja eleito em outubro.
O país vizinho atingiu 52,49% de pobreza na população urbana no 1º semestre de 2024, contra 41,7% do 2º semestre de 2023, quando Milei assumiu o governo. Desde então, passou por diminuição significativa nos investimentos públicos, com cortes em aposentadorias e de recursos às universidades; e forte queda no consumo e no poder de compra da população. Tudo isso aos custos de uma promessa, até agora não cumprida, para diminuir a inflação que, em 2025 foi de 31,5%, com projeção do FMI de 25% para 2026.
Mas um levantamento da consultoria argentina Qualy estimou que a inflação acumulada durante o governo Milei teria sido 15,5% maior caso o INDEC – equivalente ao IBGE no Brasil –, tivesse adotado a nova forma de calcular os preços planejada para vigorar em janeiro deste ano. Ou seja, Milei maquiou o real tamanho de seu fracasso.
Observando o cenário do país vizinho, o que Flávio Bolsonaro aponta para deixar brasileiros e brasileiras mais pobres, sem emprego, sem poder de compra e chegue ao ponto de ter de ir ao açougue para comer carne de burro, tendo em vista os altos valores da carne bovina e das aves. Isso mesmo, argentinos, segundo notícias de abril deste ano, estão comendo carne de burro.
O modelo de Milei que Flávio Bolsonaro quer adotar fará com que nós diminuamos até mesmo o consumo de produtos de higiene básica, conforme dados do relatório Radar, da consultoria Scanntech.
O período de Jair Bolsonaro no Planalto deixou um acumulado de 57% de inflação de alimentos. A renda média do brasileiro caiu 6,6%, segundo dados do IBGE, sendo o pior índice da história. Se somarmos esses números em uma “conta de padaria”, chegamos a espantosos 63,6% de queda no poder de compra de alimentos. Aqueles foram anos de um verdadeiro projeto de empobrecimento de nosso povo, com a volta ao Mapa da Fome, com mais de 30 milhões sem ter o que comer, de acordo com a Rede Pessan, e filas para disputar por ossos.
O projeto de país do bolsonarismo aposta no empobrecimento da população enquanto poucos privilegiados seguem aumentando suas margens de lucro e fazendo a alegria do mercado financeiro às custas de centenas de milhões de nós. O mais sórdido disso tudo é que a economista-chefe de Flávio Bolsonaro defende esse projeto com um sorriso em seu rosto e com a complacência de setores da mídia hegemônica.
Do outro lado, temos uma candidatura do atual presidente Lula, que nos últimos quatro anos novamente, em julho de 2025, tirou o país do Mapa da Fome. A inflação de alimentos entre 2023 e 2025, somada, foi de cerca de 12%, enquanto a renda média dos brasileiros cresceu acima cerca de 16% no mesmo período. Ainda que hajam desafios para serem superados, é inegável que a economia do país reagiu e que, aos poucos, estamos voltando aos trilhos que foram descarrilados durante o período Temer/Bolsonaro.
As eleições deste ano não são somente para escolher representantes, nem somente sobre normalidade institucional, mas também sobre se nós, trabalhadoras e trabalhadores, teremos condições mínimas de uma vida digna, em que comer não seja um privilégio.