12 de setembro de 2026

Método Lava Jato ressurge no STF a poucas semanas da eleição

Vivemos nesta semana um dos capítulos mais tristes e perigosos da História do Brasil desde a redemocratização. Desde a farsa que foi a Operação Lava Jato, o país não observava uma tentativa tão explícita de interferência nos rumos eleitorais. O afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal, por determinação de André Mendonça, e a libertação de presos do caso INSS dão um sinal claro dessa tentativa de mexer no tabuleiro eleitoral a menos de um mês do primeiro turno.

Essas manobras foram articuladas para desestabilizar as instituições e criar um ambiente de incerteza e desconfiança sobre o STF e as instituições republicanas. Um prato cheio para interesses externos como os do presidente estadunidense Donald Trump, que sonha ampliar o domínio sobre a América do Sul. Quando um ministro do STF indicado por Jair Bolsonaro usa a caneta de forma monocrática para cortar a cabeça da Polícia Federal, é preciso entrar em alerta.

Curiosamente, o afastamento do chefe da Polícia Federal veio quando a instituição vinha conquistando resultados históricos no combate à criminalidade. Foi sob a gestão de Andrei Rodrigues que a PF colocou fim à gigantesca fraude no INSS, que drenava recursos de aposentados em todo o país. Inclusive os de Maceió, que tiveram recursos da previdência municipal desperdiçados durante a gestão do então prefeito João Henrique Caldas (PSDB).

Frequentemente, vemos o candidato que representa a preferência política de André Mendonça prometer combater o crime organizado, sem dizer como. Entretanto, a PF comandada por Andrei Rodrigues atingiu em cheio as finanças de grupos mafiosos. A Operação Carbono Oculto revelou a penetração direta do PCC no coração do mercado financeiro nacional, inclusive na Faria Lima, e apontou ligações com Tarcísio de Freitas, governador paulista.

No Rio de Janeiro, a PF atuou para desmantelar esquemas de financiamento e logística do Comando Vermelho. Além disso, investigava casos ligados às emendas PIX e não hesitou em prender Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Vorcaro é apontado como figura central da maior fraude financeira já registrada no país e atuava na cooptação de atores importantes da República.

Mas nesta quarta-feira (9), duas movimentações escancararam ainda mais a situação provocada por André Mendonça. Flávio Dino, em ação impetrada por Andrei Rodrigues, derrubou o afastamento porque a medida paralisaria o inquérito sobre os milhões de Daniel Vorcaro. Se a decisão de Dino corrigiu a desfaçatez de Mendonça, internamente no STF ela aumentou, ainda mais, a fervura.

Isso obrigou o presidente do STF, Edson Fachin, finalmente a se mexer. Ele anulou as decisões de Mendonça e Dino sobre Andrei Rodrigues, tirou a relatoria de Alexandre de Moraes do inquérito das fake news e suspendeu o processo de Mendonça sobre Moraes e Vorcaro, assumindo para si as apurações que envolvem ministros do Supremo.

Talvez, se tivesse tomado essa atitude antes do carnaval golpista de André Mendonça, muita coisa da guerra interna no STF não tivesse ocorrido. Entre elas, as revogações de prisões de envolvidos nos casos Master e INSS promovidas pelo ministro indicado por Jair Bolsonaro. Mendonça soltou Romeu Carvalho Antunes, filho do “Careca do INSS”; Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e Samuel Chrisostomo do Bomfim Junior. Também soltou Ahmed Mohamad Oliveira Andrade, Pedro Alves Corrêa Neto e Gilmar Stelo, envolvidos nas investigações sobre a fraude no INSS.

O que o Brasil viu nesta semana foi o método Lava Jato repaginado e hipertrofiado de poder, agora operado por um ministro do STF. Em sua atuação para ajudar Flávio Bolsonaro na eleição deste ano, Mendonça pôs querosene no fogo das tensões internas da Corte, buscando implodi-la por dentro.

Tudo isso às vésperas da eleição presidencial desvia o foco do que realmente importa: os projetos que cada candidatura representa para o país. Mendonça, porém, só acirrou os ânimos e a desconfiança com as instituições, exatamente como fez o governo do qual participou e pelo qual foi indicado ao STF.