5 de setembro de 2026

Primeiramente as escolas, depois os grandes eventos

Quais são, mesmo, as prioridades da Prefeitura de Maceió? Nesta semana foi anunciada pelo prefeito Rodrigo Cunha uma obra faraônica, de um estádio de futebol à beira-mar com capacidade para um público de 30 mil pessoas. O custo inicial dessa obra aos cofres públicos está estimado em R$ 600 milhões.

Poderia ser animador ver a nossa capital crescendo, se preparando para grandes eventos nacionais e até internacionais, se destacando com grandes investimentos em infraestrutura, mas a verdade é que não podemos ignorar que enquanto a prefeitura pensa em festas ou eventos esportivos, não consegue dar conta do básico. Nossas escolas estão agonizando, vivendo o que pode ser um dos piores momentos da história. Ainda neste ano, por exemplo, fomos classificados como a 5ª pior capital brasileira no IDEB.

Apesar da propaganda bonita, tem muita criança fora da escola por falta de vagas em Maceió. E as que conseguem entrar, encontram uma realidade dura. São prédios com reformas inacabadas, carência de profissionais e uma precarização das carreiras sem precedentes.

Como se pode comemorar um novo estádio de futebol gigante, se nem o piso salarial do magistério a prefeitura cumpre? E os funcionários de escola, que recebem abaixo do salário mínimo e muitas vezes estão com o vale-transporte atrasado, mal conseguem chegar ao local de trabalho.

Maceió merece sim boas praças, shows, e até um espaço para grandes eventos, mas isso não pode acontecer quando ainda falta o básico. É como se eu não conseguisse pagar a escola dos meus filhos e estivesse gastando o salário com o ingresso para um show da Lady Gaga. A conta não fecha.

A obra promete trazer empregos, isso é louvável. Mas será que esses empregos são mais importantes que os que poderiam surgir através de um concurso público para cobrir a carência de professores, merendeiras, vigias, e secretários escolares?

Desde o início da gestão JHC, que continua agora com Rodrigo Cunha, a Secretaria Municipal de Educação já teve SETE mudanças de comando na pasta. Uma política pública tão importante, tão presente nos discursos de campanha, é tratada por essa gestão como moeda de troca para alianças e rupturas políticas que mudam toda hora.

O Plano de Carreiras da Educação no Município de Maceió está sem atualização há décadas e somente após muita cobrança do Sinteal conseguimos avançar nas negociações, mas quando o acordo estava quase fechado, a prefeitura simplesmente fechou o canal de negociação, fazendo tudo voltar à estaca zero. E para piorar, direitos que já conquistamos no passado, que são previstos por lei, também estão sendo descumpridos. As progressões de carreira não estão sendo pagas, há atrasos de anos, até décadas em alguns casos; alguns biênios chegaram a ser publicados no Diário Oficial, mas nunca foram pagos.

Este ano, o reajuste salarial, que não passou de 6%, Rodrigo Cunha foi parcelado em três vezes, em um “trocado” minguado que vai caindo nas contas salarias de servidores a cada mês e que mal sente-se diferença. Como manter a motivação, as condições adequadas nas escolas, se a gestão municipal já nos abandonou? Será mesmo que manter a qualidade do ensino é bobagem, não merece atenção da prefeitura? Será que Maceió tem mais demanda para um espaço de eventos do que para boas escolas?

Além das festas de Verão e de São João cheias de artistas de fora e pagos com cachês milionários, que ganhos a população da nossa cidade tem tido com essa gestão de Instagram? Se quer melhorar a vida do povo, primeiramente olhe para as escolas.