Votar em Lula é uma escolha de resistência democrática
Por Izael Ribeiro, presidente do Sinteal
O Congresso Nacional que assumirá em 2027 já foi escolhido e gerou uma nova correlação de forças em Brasília, com o bolsonarismo muito mais forte na Câmara dos Deputados e no Senado Federal e isso dá outra dimensão à reeleição de Lula porque o bolsonarismo vai comandar as duas Casas.
No Senado, a extrema-direita terá 49 dos 81 senadores, faltando apenas cinco para os 54 parlamentares cassar ministros do Supremo Tribunal Federal ou aprovar impeachment de presidente da República. Na Câmara dos Deputados, elegeram 283 deputados. Eles não alcançaram os 308 necessários para aprovar PECs nem os 342 exigidos para autorizar impeachment, mas têm votos suficientes para aprovar ou derrubar projetos de lei como bem entenderem. E ainda existe o centrão, tradicional fiel da balança com seu hiperfisiologismo.
Flávio Bolsonaro (PL) já anunciou que pretende mudar a Constituição de 1988 e é preciso prestar atenção nisso porque conquistar maioria no Congresso Nacional sempre foi apresentado pelo bolsonarismo como condição para realizar seu projeto político. Tanto que para esta eleição, a própria extrema-direita já havia estabelecido como objetivo conquistar maioria no Senado para cassar ministros do STF.
Por isso, a reeleição de Lula é fundamental, mesmo diante de um Congresso que poderá limitar ainda mais sua capacidade de ação, mantê-lo no Palácio do Planalto significa preservar um polo de poder e resistência ao campo democrático. O presidente da República não pode vetar uma PEC, que é promulgada pelo próprio Congresso Nacional, mas Lula ainda terá enorme capacidade política para disputar as grandes pautas nacionais.
Lula reeleito significa quatro anos de resistência, negociação e turbulência política e institucional, mas como fruto de resistência ao rolo compressor do bolsonarismo que atua na contramão da pacificação nacional.
Quando Flávio Bolsonaro fala em mudar a Constituição, é preciso ficar alerta. Nossa Carta Magna estabelece direitos sociais, proteção ao trabalhador, seguridade social, saúde, educação e garantias fundamentais e não trata apenas do funcionamento dos Poderes e da relação entre eles e os entes federados. Se Lula for reeleito, teremos um Executivo do campo democrático diante de um Legislativo com forte maioria bolsonarista capaz de disputar e buscar resistir aos retrocessos que estão por vir.
Se Flávio Bolsonaro vencer, teremos Executivo e Legislativo alinhados ao bolsonarismo, com enorme capacidade para promover mudanças institucionais e sociais profundas no Estado e na sociedade brasileira, cuja reversão será muito difícil. O histórico político e o discurso do bolsonarismo indicam a direção que pretendem seguir com o país, que é o do arrocho salarial, o fim do serviço público, da saúde pública, da educação, da ciência, o fim de políticas públicas que promovam inclusão social e econômica, o fim de nossa soberania e de nossa democracia.
Por isso, reeleger Lula significa resistir, pois será manter um polo de poder para defender os interesses da maioria esmagadora de brasileiros, mesmo aqueles que, iludidos, votaram contra si em 4 de outubro. O segundo turno da eleição presidencial não será apenas uma disputa entre dois projetos de governo, mas sobre os limites que ainda existirão para a extrema-direita no poder.
Reeleger Lula é garantir que, diante do Congresso Nacional que teremos em 2027, ainda exista um




