13 de julho de 2026

Dirigentes do Sinteal tomam posse no Conselho Estadual da Mulher

 

Em cerimônia realizada na manhã da última sexta-feira (10), no auditório da FAPEAL, as diretoras do Sinteal Francisca Feitosa e Rosiele Costa tomaram posse no Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDIM).

“A luta por direitos da mulher faz parte das nossas prioridades enquanto sindicato da educação. E participar desse espaço de controle social se faz necessário para que possamos acompanhar de perto a atuação do poder público, cobrar que as políticas públicas sejam efetivas e que problemas que ainda lidamos, como as desigualdades e a violência contra a mulher, sejam realmente enfrentados”, disse Francisca, Secretária da Mulher do Sinteal e conselheira do Cedim.

A cerimônia contou com a participação de lideranças de alguns órgãos e movimentos sociais, como a Marcha Mundial das Mulheres. Também estiveram presentes representantes do Secretaria de Estado da Mulher, Marília Albuquerque, e do Ministério das Mulheres, Ana Tojal. No início da cerimônia, a atual presidenta do Cedim, Raquel Braz, saudou a todas a destacou o desafio de enfrentar os altos índices de feminicídio no nosso estado.

Em seguida, foi realizada uma mística em homenagem a todas as mulheres vítimas de feminicídio em Alagoas, conduzida por Francisca e Rosiele.

 

 

Lenilda Lima, Secretária da Mulher da CUT Alagoas e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Maceió, destacou a importância dos conselhos para a participação da sociedade. “Que não tenhamos só políticas pra reparar depois que as mulheres já estão no último ciclo da violência que é quando a polícia chega, quando prende. Nós não queremos isso, nós queremos viver”. E falou sobre mulheres que fizeram a luta no passado. “A nossa atuação nós devemos a muitas mulheres que passaram por aqui. Eu saúdo uma que lutou muito por conselhos, e por política pública para as mulheres, que é Terezinha Ramires e tantas outras como Selma Bandeira. Nós temos que honrar essas mulheres que tanto lutaram e fazer do nosso conselho um instrumento de cobrança, não só de assessoramento e formulação, mas de cobrança de políticas públicas pra que possamos de fato ter o acolhimento, recepcionar, e dar um mínimo de segurança às nossas mulheres”.

A nova direção se destaca por ter conselheiras de diferentes categorias. Mulheres de matriz africana, de várias religiões, de classe média, da periferia, mulheres de todas as fés e todos os territórios.

A professora Marluce Remígio, coordenadora do Movimento Negro Unificado (MNU) e Secretária de Políticas Sociais do Sinteal fez uma saudação e destacou mês de luta das mulheres pretas. “Esse é o resultado de uma construção coletiva de ocupação de espaços de poder. E vocês, assumindo esse conselho, tendo esse assento nesse conselho, justamente no mês do Julho das Pretas, é muito forte. Traz essa responsabilidade ancestral. Estamos no Julho das Pretas, mês que reverencia o legado de Tereza de Benguela e a liderança das mulheres negras, latino-americanas e caribenhas. Como nos ensina a teoria e a prática dos nossos movimentos, a luta por direitos e emancipação das mulheres só é real quando ela é interseccional, quando olha para raça, classe e gênero de forma inseparável”.

Marluce reforçou a necessidade de o Cedim assumir o papel de dar voz às mulheres. “O conselho não pode ser apenas um espaço burocrático ou figurativo, ele precisa ser a caixa de ressonância das vozes das periferias, dos quilombos, do campo e das cidades. Então o compromisso de vocês, o nosso compromisso é fiscalizar com rigor, propor com audácia e garantir que as polícias de enfrentamento à violência de autonomia econômica e saúde integral cheguem a quem mais precisa. Não aceitaremos recuos dos direitos já conquistados, e marcharemos firmes por novas garantias. Então essa Agenda do Julho da Pretas deste ano nos lembra que nossa existência é uma tecnologia de soberania e cuidado coletivo, que possamos juntas construir um conselho forte, transparente, corajoso pelas que vieram antes de nós, pelas que estão aqui e pelas que virão. Seguimos em marcha por reparação, justiça e bem viver”.