Que a PF responda onde estão R$ 97 milhões do IPREV Maceió
Por Consuelo Correia, presidenta interina do Sinteal
Na última segunda-feira (10), Maceió despertou com a notícia de uma operação da Polícia Federal, que tinha como alvo o Instituto de Previdência de Maceió (Iprev), cumprindo mandados de busca e apreensão de contra seis pessoas, três delas figuras do alto escalão da prefeitura municipal de Maceió: João Felipe Alves Borges, titular da Sefaz desde a gestão João Henrique Caldas (PSDB); e Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor presidente do Iprev. Já o atual diretor-presidente do Iprev, Guilherme Emmanuel Lanzillotti Alvarenga não foi alvo dessa operação, mas um ofício recente assinado por ele está sendo investigado.
O motivo da ação policial, denominada Compliance 82, é apurar dois aportes do instituto nas letras podres do Banco Master, de Daniel Vorcaro, que somam R$ 97 milhões. O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, também determinou o sequestro e bloqueio de bens até o limite do valor investigado.
Por que o Iprev investiu tanto dinheiro numa aplicação sem a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito? Como o dinheiro aplicado no Master vai retornar aos cofres municipais? Desde o estouro do escândalo do Banco Master, os sindicatos, incluindo o Sinteal, foram às ruas e às autoridades cobrar respostas sobre o destino dos recursos da aposentadoria dos servidores públicos de Maceió. Pelo visto, as respostas a estas perguntas sairão do inquérito da Polícia Federal.
Durante todo esse tempo, o Iprev sempre garantiu que o instituto estava superavitário, mesmo após o dinheiro – por ora, perdido – que foi jogado nas letras podres o Master. Mas o instituto, recentemente, colocou imóveis públicos como patrimônio do Iprev e este, por sua vez, contratou uma consultoria, no valor de R$ 8 milhões, sem licitação, para lidar com a crise financeira e um déficit bilionário projetado.
Ainda sob a gestão JHC, buscamos os órgãos competentes, acionamos o Ministério Público e o Tribunal de Contas para buscar informações. O então prefeito nunca se pronunciou sobre o tema, se negando a dialogar com os trabalhadores e as trabalhadoras do município. Mesmo com a medida irresponsável de apostar R$ 97 milhões no Banco Master, o então prefeito omitiu-se – e ainda omite-se. Talvez por não ter uma boa explicação para dar aos servidores de Maceió, talvez devido a possíveis impactos eleitorais, mas o fato é que até agora, só há silêncio vindo do ex-prefeito de Maceió, assim como do atual Rodrigo Cunha.
A população, talvez, não tenha ideia do problema, mas estamos diante de uma possibilidade gigante de que milhares de servidoras e servidores, atualmente na ativa, tenham suas aposentadorias em risco devido a essa irresponsabilidade, talvez criminosa, da má gestão do Instituto de Previdência de Maceió.
Mesmo não compondo a direção do Iprev, que é uma autarquia, JHC não pode se eximir da responsabilidade política de ter nomeado as pessoas que figuram no centro do escândalo, agora investigados pela PF, cujo um deles, João Felipe, segue à frente da Sefaz da gestão, agora comandada Rodrigo Cunha.
A sociedade deve seguir acompanhando atentamente as investigações e cobrando explicações. O povo de Maceió merece respostas concretas sobre o destino dos recursos da previdência dos servidores. Já que as organizações sindicais não foram devidamente respondidas em seus questionamentos, que a investigação da PF revele o que de fato ocorreu, aponte responsabilidades e que os recursos retornem aos cofres públicos.



