26 de setembro de 2026

Lula na ONU e a defesa de um Brasil soberano

Por Consuelo Correia, presidenta interina do Sinteal

Na última terça-feira (22), o presidente Lula abriu a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e, mais uma vez, reafirmou a soberania brasileira, tanto em relação ao uso de seus recursos naturais quanto em sua democracia, de que cabe ao povo brasileiro decidir seu destino sem nenhuma interferência externa. A mensagem foi um recado direto a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, aliado da família Bolsonaro e que atua para tomar nossas riquezas, nos pôr de joelhos e interferir em nosso processo eleitoral. Uma frase dita por ele resumiu todo o discurso: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”.

Em cerca de 22 minutos de fala, Lula ratificou aos olhos do mundo a sua posição de um dos líderes estadistas mais importantes da História e voltou a defender posições firmes da diplomacia brasileira, sendo visto como referência aos olhos de uma plateia de líderes mundiais, inclusive de direita, que por vários momentos aplaudiram seu discurso.

Seu posicionamento foi fundamental para demonstrar que o Brasil não quer, e não pode, cair nas tentações hegemônicas do imperialismo estadunidense e muito menos cederá àqueles que autam como traidores de nossa pátria.

O foco do discurso de Lula foi o que todo chefe de Estado brasileiro deve ter diante do atual cenário político internacional: a defesa da soberania nacional e a denúncia dos ataques contra nosso país, tendo o governo Trump como principal fiador desta tentativa de desestabilização do Brasil.

Lula fez questão de reafirmar o seu compromisso em defesa do PIX, bem como a necessidade do fim da escala 6×1, usando o debate brasileiro como exemplo da necessidade de a exploração da classe trabalhadora diminuir em todo o planeta, além de reforçar o seu compromisso pela extinção das BET’s, que vem destruindo famílias e sugando a renda dos brasileiros, apontando o papel nefasto das big techs em povos de todo o mundo.

Ainda em seu discurso, Lula reforçou um dos compromissos do seu governo, que foi tirar o Brasil do mapa da fome, destacando que é possível colocar o pobre no orçamento do governo e cobrando que os demais países, especialmente os ricos, parem de financiar guerras e passem a atuar para acabar com a fome e a desigualdade.

Também em resposta à narrativa da extrema-direita sobre o Brasil, Lula destacou o combate ao crime organizado no Brasil pela Polícia Federal, enfatizando a aprovação da Lei Antifacção reafirmando que o combate às grandes organizações criminosas deve ser feito através de cooperação multinacional, e não por meio do militarismo bruto, ignorando as relações diplomáticas e a soberania dos países.

Como sempre tem feito, Lula expressou sua indignação com a inércia do Conselho de Segurança da ONU, que deveria servir para prevenir conflitos e deter uma escalada de violência global, destacando o número recorde de conflitos armados em 2025, citando as guerras do Irã, Ucrânia e o genocídio contra o povo palestino em Gaza promovido pelo governo sionista de Israel, numa crítica ao direito de veto de superpotências como Estados Unidos, Rússia e China, fazendo do órgão algo quase decorativo.

Foram 22 minutos que escancararam a diferença entre os dois projetos de poder que estão sendo confrontados na eleição do próximo dia 4 de outubro: de um lado, um país que reafirma a sua grandeza perante o mundo e que busca, interna e externamente, um crescimento sustentável e que diminua as desigualdades sociais mantendo sempre sua soberania e sua democracia; do outro, um projeto entreguista, que acredita que vale tudo – inclusive entregar o país a preço de banana – para libertar condenados por uma tentativa de golpe de Estado.