CNTE participa de encontro latino-americano em defesa da escola pública de qualidade
VII Encontro do Movimento Pedagógico reúne lideranças para discutir financiamento, soberania e combate à privatização da educação

De 5 a 7 de novembro, o Sinteal está participando, junto com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) do VIII Encontro Regional do Movimento Pedagógico Latino-Americano (MPL) Stella Maldonado, em Bogotá (Colômbia). O evento, organizado pela Internacional da Educação para a América Latina (IEAL), reúne educadores/as e lideranças sindicais para discutir a conjuntura da educação pública nos países latinos.
O objetivo é desenvolver estratégias conjuntas de atuação sindical em defesa de uma pedagogia de qualidade, acessível a todos, que respeite os territórios e a soberania da América Latina.
Stella Maldonado
Neste ano, o Encontro homenageia Stella Maldonado, pedagoga, líder sindical e secretária-geral da Confederação de Trabalhadores da Educação da República Argentina (CTERA) falecida em 2014. Foi exibido um vídeo de tributo com destaques de discursos da professora na abertura.
A presidente do Comitê Regional da IEAL e representante da CTERA, Sonia Alesso, agradeceu pela memória de Maldonado. “Este tributo a Stella é um tributo aos pedagogos da América Latina que nos ensinaram a pensar que não há possibilidade de discutir a escola pública que queremos se não houver distribuição de riqueza, sem financiamento público para a educação, que não há possibilidade de discutir salário sem também nos construírmos juntos com a comunidade, junto com os pais, junto com as mães.”
Abertura
Participaram da mesa de abertura o presidente da Federación Colombiana de Trabajadores de la Educación (FECODE), Domingo Ayala, o vice-presidente da IEAL e antigo presidente da CNTE, Roberto Leão, a secretária-geral da Associação Sindical de Professores Universitários da Colômbia (Aspu) e a Vice-presidente do Comitê Regional da IEAL, Isabel Olaya, o secretário-geral da IE, David Edwards, e Sonia Alesso.
Domingo criticou o projeto educacional que centra o desempenho em provas como determinante da qualidade de aprendizagem. “Não aceitamos que responsabilizem exclusivamente os professores pela falha na educação, sem levar em conta a infraestrutura, o papel do Estado e a situação individual dos estudantes”, comentou.
Resistência latina
Leão defendeu que a América Latina se constitui enquanto região a partir da luta incessante por independência, justiça social e autodeterminação. Enquanto educadores/as, os profissionais da educação dos países latinos representam a mobilização por um ensino para além da visão de mercado.
“Lutamos para construir um mundo justo e igualitário a partir da educação pública de qualidade social, pensada por Paulo Freire e pela nossa companheira Stella Maldonado. Uma educação pública libertadora, e não a educação pública adestradora, do treinamento”, disse Leão.
O dirigente destacou o caráter anticolonial da luta sindical latina, dedicada também ao combate ao racismo, à misoginia e em mobilização pelos interesses dos povos originários. “Nós somos autônomos, donos do nosso destino, defendemos as nossas terras e não vamos entregá-las a ninguém”, finalizou.
O papel da educação
David Edwards apontou que o poder dos sindicatos é definido pela sua força sindical e pela força pedagógica: “Esse poder surge da nossa habilidade de nos organizarmos e mantermos a disciplina para alcançar nossos objetivos. Temos que ser capazes de ajudar os/as jovens a entender não somente o que acontece no mundo, mas que eles têm a agência para se mobilizar para mudá-lo”.
“À frente da inteligência artificial, trabalhadores da educação não podem ser apenas aqueles que fornecem conteúdo, devem ser hoje os trabalhadores da sabedoria, que garante visão coletiva, memória e valores críticos”, acrescentou Edwards.


